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Expressões perdidas

Elas ficaram em algum lugar escondido do meu HD. Tami fez questão de desenterrar uma e, no embalo, comecei a lembrar de outras.

. Dinda, mano! (a que a Tami lembrou – sempre está ligado a “tô precisando de $” ou “quanto $!” ou “não vou porque tá faltando $”)
. Trapas (eu continuo usando de vez em quando – é difícil explicar o real significado, mas funciona mais ou menos como um substituto de “trash” um pouco mais leve, sendo que às vezes o “muito trapas” fica mais forte do que “muito trash”… não fez sentido, né?)
. Tô abusado (é tipo “tô enjoado”, “tô de saco cheio”. saiu do meu vocabulário no começo dos 2000. existe a variação “que abuso!” e “que abusivo!”)
. A-dorê! (essa a Talita inclusive desenterrou numa piada ontem sobre o show do DJ Yoda. inclusive uma piada muito sem graça: “o show foi uma lula – a-dorê!”. mas a história da expressão quando eu usava, acho, começou assim, com essa referência à lula mesmo – então, TRAPAS POR TRAPAS, é isso aí. “a-dorê!” é uma variação de “adoro!”, expressão bem bicha mesmo para demonstrar o quanto você gosta de alguma coisa e que caiu em desuso quando o “incrível!” pegou)
. Será? (eu adorava essa. as pessoas diziam algo bem absurdo, tipo “ah, cara, mas você pegaria aquele cara fácil!” e eu respondia: “será?” querendo dizer “NOT!”. cheguei a escrever “será?” na manga de uma camiseta de tanto que eu gostava)
. Sei. (o “sei” é mais ou menos da mesma família do “será?”. alguém dizia “cara, a Marta é uma safada porque traiu o Suplicy e ainda usa o nome dele, não vou votar nela por causa disso” e eu respondia “SEI”. que era algo do tipo “fala sério, filhinho, você é ridículo”. Acho que tem uma poesia do Ricardo, que eu me lembre de cabeça – o livro está na casa da minha mãe – que diz “eu digo sei até dizer chega”. é esse “sei”)
. Eu sei, inclusive lá em Valinhos [insira história bem bizarra aqui] (quando alguém diz algo bem bizarrinho, você completa com uma história muito mais bizarra que aconteceu em uma Valinhos  do mundo paralelo. vamos supor: alguém diz “nossa, cara, dizem que nunca nasceram tantos irmãos xipófagos quanto no ano de 2008”, e você comenta “ah, eu sei, mas lá em Valinhos dizem que existem três xipófagos para cada negro”. a história geralmente tende a aumentar se a pessoa entrar na dança e responder: “pois é, inclusive a filha da Dona Carmem da vendinha teve trigêmeos xipófagos e um deles hoje dizem que é ator em Bollywood, é o primeiro galã de Bollywood que veio de Valinhos se a gente não contar aquele que era transexual”)
. Risos (by Bruna Beber, pelo menos foi com ela que aprendi. veio do MSN, quando você escreve “risos” para dizer que está rindo. aí foi se desenvolvendo: começou com “aí eu fui na festa do meu ex-namorado. [pausa]risos”. desenvolveu-se para adjetivo: “aí eu fui numa festa risos lá na Vila Madalena”)
. Tem coisa que eu gosto, tem coisa que eu não gosto, depende da coisa (vem do filme Domésticas. é dita, normalmente, para justificar um gosto. como gosto não tem justificativa, a gente diz isso e pronto, acabou a discussão)
. Nunca fui tão humilhado em toda minha vida (pode ser usada quando um garçom não te atende direito, quando você tem que pagar caro numa balada, quando alguém aparece com uma roupa muito mais incrível que a sua etc.)
. Perdi minha inocência (ela surgiu quando um amigo meu – não vou citar nomes para não causar constrangimento – costumava nos levar de carro para ver os michês do Trianon. tinha um com a jeba toda para fora, que tinha um aspecto nojentusco. aí um dos presentes disse, se escondendo atrás da alça da bolsa que carregava: “perdi toda minha inocência”. pegou instantaneamente, sempre que alguém falava alguma coisa sexual cabeluda – não só literalmente, mas também literalmente)

Tem as que não caíram em desuso apesar de um pouco antigas.
. Sou uma palmeira ao sabor do vento. (você fala essa esticando os braços para cima e mexendo-os levemente, ao sabor do vento. ela é dita para deixar claro o quanto a pessoa que acabou de falar o constrangeu, ou o quanto o assunto é constrangedor, tanto faz. tipo “ai, gente, mas sei lá, eu já fiquei com um anão e ele tinha pau grande, que que tem?”. bom, “eu sou uma palmeira ao sabor do vento”. ou “cara, será que a fulana voltou com a beltrana? tá todo mundo achando isso”. bom, eu definitivamente “sou uma palmeira ao sabor do vento”)
. Bacana, bacana. (essa é ótima, prima da “sou uma palmeira ao sabor do vento”. alguém fala alguma coisa bem nada a ver e você diz “bacana, [pausa] bacana…”, como se fosse realmente bacana. exemplo: “eu adorei o último filme iraniano daquela seção do corujão”. “ah, é? bacana, bacana…”. Pode ser facilmente substituído por “legal, legal”) 

As novas também são bacanas:

. A vida segue. (auto-explicativa, certo? geralmente é usada quando alguém acaba de contar um caso bem cabeludo. essa eu aprendi com a Mari TV)
. Entendi. (eu falo muito essa, geralmente para mostrar que eu não sei o que dizer e que talvez seja melhor mudar de assunto porque talvez eu não esteja interessado. Exemplo: “O show do Gogol Bordello foi curto!” e eu respondo “Entendi”. Viu? Não faz o menor sentido, e a pessoa percebe que eu não estou escutando)
. Dicas. Coisinhas. (vem do Terça Insana, o Alexandre diz muito e eu peguei. surge naturalmente e sem motivo. “fui falar umas coisas para ele. dicas. coisinhas”)

Devo ter esquecido de milhares de outras, alguém se lembra?