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Ai, ai, ai, Isaura… Hoje eu não posso ficar…

Hoje foi o primeiro dia de ensaio “aberto” da peça na qual assino, humildemente, como “coordenador de figurino”.
Muito bacana ver a reação das pessoas diante de algo que você viu crescer. Não vi nascer porque entrei no processo já começado. Também foi gratificante perceber que, puxa, até que não está tão ruim? Risos. Claro que serão necessários alguns – vários – ajustes. Mas existe uma idéia ali, uma coesão, uma autenticidade.

É momento também de parar e pensar em como foi o processo para mim até agora. Primeira coisa é perceber que ele foi muito instintivo – sendo assim, natural que o figurino se preocupe bastante com o lado “funcional”. A peça acontece dentro de um lugar bizarro e praticamente impossível de ser descrito: é a Hidráulica da USP, que fica pertinho da ECA, esquina da Av. da Raia. Quem nunca entrou lá não sabe o que é tentar fazer uma pessoa aparecer no meio daquela profusão de canos, metais, elementos.
A gente trabalhou com uma “base branca”, e por cima dela incluímos “acessórios” vermelhos – que é a cor que contrasta com o verde, uma das tonalidades dominantes do local. Escrevo acessórios entre aspas porque na verdade eles vão de suspensórios até faixas tortas, rosas vermelhas de tecido penduradas. Aos poucos – e isso ainda é uma das coisas que necessitam de ajuste – incluímos cores que puxam o vermelho para o azul (roxo, por exemplo) e para o amarelo (laranja). Enfim, tudo foi pensado para aquelas dez pessoas se destacarem em um ambiente tão… hum… poluído? É, poluído talvez seja uma boa palavra.

Como algumas das personas na peça possuem uma trajetória e uma espécie de historinha (que não necessariamente o público vá identificar), pegamos isso como um norte para não nos perdermos. Ninguém sabe que uma personagem foi lobotomizada no meio da peça, por exemplo, mas a gente sabe e isso se reflete em uma mudança no look.

Como eu acabei de chegar da peça, a cabeça fervilha, né? As sacadas surgem. Acho que estamos indo bem para uma peça que estréia em março.
Quer dizer, quem me conhece na verdade sabe que isso não me deixa nem um pouco tranquilo! ARGH!

Eu podia estar roubando…

Ontem foi dia de fazer figurino – porque, pois é, eu continuo trabalhando nisso, né, minha gente. Vai ter ensaio aberto nas próximas semanas (mas não tão aberto, por isso não convido, tem limite de capacidade de público então o grupo decidiu selecionar pessoas que poderão contribuir, depois, para dar um feedback legal e melhorar a peça antes da estréia mesmo, em 2008).
Aí que o figurino vai ficar interessante, mas não esperem nada muito caprichado porque a gente não trabalha com essa coisa que o povo chama de DINHEIRO, OK? As peças são quase todas de acervo, e – por falar nisso – estamos aceitando doação daquela roupinha branca sua que você nunca usa. Sim, aquela, do fundo do armário. Pode ser vermelha também. Passa pra cá.

E caso você saiba costurar… tá a fim de fazer um vestido de graça pra gente? O tecido a gente tem! Juro!

Pessoas que eu conheço, livros que ainda não li

LivroDaCec�lia

Agora, um pouco de literatura nessa vida: anteontem foi lançamento do livro da Cecília Gianetti na Mercearia. Conheci a Cecília no Rio, em uma de minhas viagens para lá nesse ano (acho que na verdade foi em dezembro do ano passado, pensando bem…), e uma das coisas mais legais foi que:

– Ela foi quem apareceu primeiro no meu aniversário no bar lá do Rio e ficamos conversando para caramba. Foi aí que eu percebi que ela era bem legal – e assistia BBB.
– Ela me deu um CD pirata de funk carioca de aniversário, nesse mesmo dia! Foi fofo! Você PRECISA OUVIR o funk da escova progressiva.

Bom, estava para comprar o livro da Cecília faz tempo. Lugares que eu não conheço, pessoas que eu nunca vi, que estou começando a ler (e provavelmente devo acabar em pouco tempo, ele tem capítulos curtos e te pega mesmo, você acaba ficando ansioso e lê tudo de uma vez), tem um certo realismo fantástico que se justifica e não soa datado pelo simples motivo que… não existe surreal mais surreal do que a nossa realidade atual. Quem acha que o mundo está normal não tem um pingo de bom senso. Então a todo momento a Cecília joga com o surreal – e por que o surreal deveria ser considerado anormal hoje?
Na verdade eu vejo uma ligação forte entre o livro e o Jogos do Olhar, o coletivo dirigido pela Verônica que está criando a peça cujo figurino estará sob minha responsa. Acho que, em tons e estilos diferentes, ambos estão falando mais ou menos da mesma coisa. E ler o livro está colaborando muito para eu ver o processo e o tema do Jogos do Olhar com mais clareza.
Bom: R$ 27,90 no Submarino.

Mas o que eu queria dizer é que, logo depois do livro da Cecília, eu vou me jogar no… terceiro e quarto livros de Ricardo Domeneck.
Ah, sim, meu bem, eu já os tenho bem aqui comigo. É para poucos hehehe. O terceiro está pronto e deve sair pela CosacNaify em breve, chama-se Sons: Arranjo: Garganta. O quarto ainda é um work in progress e não tem nome, sou tão chic que estou lendo antes de ficar pronto, tá? Ainda não dá para saber se algum dos textos do arquivo vai ficar mesmo, ou se vai mudar tudo.

Engraçado é que Rick disse que eu não ia gostar muito do terceiro. Eu dei uma olhada e achei umas coisas bem interessantes, acho que vou gostar sim.
Talvez eu tenha sido sugestionado só porque um dos poemas chama Kate Moss.