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No aeroporto, antes de vir pros Confins

Livraria Laselva. Vejamos, qual seria o livro ideal pra me acompanhar na viagem?

Hum…

Hilda Furacão, claro. A puta mais famosa de BH.
O livro é maravilhoso. Mesmo. Eu não achava que seria. E por incrível que pareça, eu acho que o… GUTIERREZ VAI GOSTAR DESSE LIVRO. Juro, Guti. Esquece a Ana Paula Arósio, a verdadeira Hilda Furacão tinha sotaque bem mineiro e olhos de fumaça.

“… e, como diria Freud, por que é que nos momentos difíceis nós nos infantilizamos?” – trecho de Hilda Furacão, de Roberto Drummond

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A gente canta até na hora de sofrer

A Verônica uma vez disse (e eu já lembrei disso no blog antigo) que o samba tem esse poder de renovar e limpar as nossas tristezas, porque as letras assumem por vezes tons amarguíssimos mas são cantadas para cima, com batuque, com ritmo, com dança rápida. Como que para expurgar.

João veio me falar que só o samba salva – acho que ele ficou meio traumatizado quando eu passei por aquela “crise de pânico que as pessoas que me conhecem bem sabem que eu tenho quando fumo da erva danada”; nessa ocasião eu disse em um momento de lucidez para ele falar alguma coisa para me acalmar e ele logo inventou de dizer “Pensa no samba, Jorge”, e aparentemente funcionou.
(na verdade eu lembro de pensar nessa hora: “caralho, devo estar muito louco mesmo, que tipo de pedido é esse?!”)

Bom, mas o que importa é que ele veio me falar hoje que só o samba salva e eu, que tava meio irritado, falei bem grosso “claro que não, outras coisas salvam também, como FREUD, POR EXEMPLO”. OK, desculpa, Johnny baby. É certo que nem só o samba salva, mesmo. Mas o samba pode salvar, quase sempre.

Tudo isso para dizer que estou ouvindo o novo disco de Teresa Cristina, Delicada, e me emocionando muito com algumas músicas. Gosto muito de Teresa, e inclusive acho que ela funciona mais em estúdio do que em show. Os álbuns são bem amarradinhos, e mesmo nessa primeira incursão na EMI ela parece bem à vontade, gravando coisas corajosas (como um samba de Caetano Veloso, Gema, um samba de Walter Queiroz com cara de forró com acordeom e tudo, Carrinho de linha). Bom, essa é a primeira impressão, na verdade não ouvi tudo com cuidado.

O mais lindo, de qualquer forma, é A gente esquece, samba de Paulinho da Viola de 1968. Teresa é uma das melhores intérpretes de Paulinho (a outra é Marisa Monte), e ao mesmo tempo que existem renovações nesse Delicada, a cantora faz questão de reafirmar suas influências, o seu “de onde vim”.

A gente esquece um samba
e faz um outro samba.
A gente perde um grande amor
e acha um outro amor.

Lindo, lindo.
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I’m not a believer

Eu sempre acredito em Freud, as pessoas que interpretam errado.
Eu já não acredito mais em horóscopo, não importa a maneira que eu interprete.