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Tomar cerveja com Sganzerla devia ser um barato

“Acho o Spielberg, às vezes, mais experimental do que qualquer um, porque você nem consegue entender as histórias dele, como em Parque dos Dinosauros, e, no entanto, o filme é um sucesso. O público está preparado para assistir qualquer coisa. Agora, a indústria é que não se reciclou, e não há nem distribuição nem crítica hoje em dia”.
Rogério Sganzerla em “Cinema com arte: Sganzerla e Bressane”, matéria da Folha de São Paulo de 27 de agosto de 1995 assinada por… Alcino Leite Neto!

Fila A, fila B – resoluções finais

Primeiro, um vídeo que para mim resume toda a lenda da fila A.

Segundo, uma constatação. Fila A é chato. Só não é chato se você senta do lado de Regina Guerreiro, ou Paulo Martinez, ou Alcino Leite Neto. Tem mais gente legal na fila A, mas não quando eles estão sentados lá.

Terceiro, uma cena: uma mulherzinha sentou no lugar de Laïs Pearson na primeira fila de Samuel Cirnansck. Tadinha, desavisada. Para quem não sabe, dona Laïs, 81 anos, é história viva de moda nacional. Ela já foi professora antes de existir a Anhembi Morumbi, e é jornalista das mais antigas de moda brasileira. Dona Laïs sentou-se na fila B, disse “fica aí, querida”, e falou a frase que resume tudo o que eu acho que os jornalistas de moda em geral deveriam pensar.

“Podendo enxergar e tendo material para trabalhar, tudo bem”.

Ofereci meu lugar pra ela – eu estava na fila A. Ela também não quis. Dona Laïs desfilou para Ronaldo Fraga.

Quarto, uma frase: jornalismo de moda não se faz da fila A. Jornalismo de moda pode sentar na fila A, mas não se faz de lá.
Lembre-se disso. Eu vou procurar me lembrar sempre.

Fui em duas palestras do Pense Moda, já

Mas meus textos estão fracos. Sério! Não vou linkar aqui.

Só queria ressaltar três coisas:
“Brasil não tem marca de moda conhecida no exterior” – Gloria Kalil
“Essa discussão sobre brasilidade está ultrapassada, a última vez que se discutiu isso nas outras áreas foi na década de 60” – não foi exatamente com essas palavras, Alcino Leite Neto
&
Calypso é vida, Brás adora um paetê com bordado com estampa com frango com tudo dentro e o Brasil está mais para Ropahara que para Versace, DESCULPA-AE.

E agora deixa eu procurar notícia de moda de famoso porque dá muito mais clique que o desfile da Balenciaga! Tchau!

Leiam o +mais! de hoje!

Uma entrevista muito boa do Alcino com Lars Svendsen, autor do livro Fashion – a philosophy: achei foda mesmo, muito legal. Aqui os assinantes do UOL conseguem ler.

Um dos meus trechos preferidos:
FOLHA – O sr. critica a idéia do sociólogo francês Gilles Lipovetsky -de que a moda torna o mundo mais democrático, pois substitui as disputas de fundo por um gosto da superfície- e afirma que a democracia tem necessidade dos atritos sociais e do dissenso. A moda, com seu gosto pela elitização, não é essencialmente antidemocrática? Redes como a Zara efetivamente democratizam o design de moda?
SVENDSEN
– Essas redes de fato democratizam a moda, pois a tornaram acessível a uma parte maior da população. Mas não vejo isso necessariamente como grande vitória democrática.
O número de peças de roupa que podemos encontrar no guarda-roupa do cidadão mediano não chega a ser um bom indicativo do funcionamento adequado, ou não, das instituições democráticas de seu país.

HAHAHAHA!
Eu sempre achei mesmo que o Lipovetsky de certa forma “livrava a barra” do povo que trabalha com moda, deixava-os(nos!) com a consciência mais tranqüila… e que algo não me cheirava bem nisso. Bom, para um ex-puquiano que panfletava pelo PT na época do Collor, não podia cheirar bem mesmo essa coisa do consumo da moda ser um fator de “democratização” do mundo.

“E daí que eu posso estar mais perto das identidades visuais elitistas comprando um batonzinho da Chanel? Porra, eu deveria não querer estar mais perto da elite, esse valor no fundo é bizarro. Eu deveria querer OUTRA COISA.”

No mesmo caderno +mais! de hoje, a jornalista Virginia Postrel assina um artigo chamado Luxo conceitual. Sente o drama da linha fina: “Super-ricos dos EUA estão trocando a exibição de marcas e produtos de grife, ligados mais às classes sociais ascendentes negra e latina, pelo requinte privado”.
THAT MEANS todas as marcas de luxo do mundo, em breve, na sua Daslu mais próxima – porque classes sociais ascendentes negra e latina, acredite, incluem Brasil.

Quase que mudando de assunto: fui na Zara ontem e só não comprei uma calça AREIA porque acabei de comprar um celular e um laptop. Comprar um celular e um computador te deixa mais perto de informação, é importante na chamada “Era da Informação” (será que a gente ainda está nessa era?).

E uma calça areia? Eu, que me faço de muito intelectual mas no fundo sou um fashionista de merda, acho que o investimento é quase tão importante, com a única diferença que o celular e o computador devem durar um pouquinho mais. Mas só um pouquinho.
No momento, o que eu quero mesmo é o Fashion – a philosophy. Dispenso a calça areia mais um pouquinho.
(droga, esse mundo que não é de super-ricos, no qual euzinho tenho que ficar fazendo OPÇÕES DE CONSUMO)

Entrevistado!

Saiu uma entrevista comigo no Bainha de Fita-Crepe! Adorei as perguntas, bem pertinentes, mas é só para quem se interessa bastante por jornalismo de moda, mesmo – não espere coisas tipo “Qual a última roupa que você comprou?”.

você também encontra entrevista com Natália D’Ornellas (da L’Officiel), Alcino e Vivi (da Folha) e Simone Esmanhotto (ex-Elle, e autora do informatívíssimo C’est Sissi Bon). Tô adorando essa coisa de entrevistas com o meio – é bacana porque é mais espaço virtual para discussão boa, enriquece o nosso trabalho.

E adorei a frase do Alcino: “Ao invés de assistir Sex and the City cinco vezes, assistir pelo menos uma vez Les 400 Coups (Os Incompreendidos, François Truffaut, 1959), por exemplo”. É isso aí. Sarah Jessica, você me diverte mas desculpa, o Truffaut me torna um ser-humano melhor.

Aliás, saiu a programação completa da mostra da Helena Ignez que eu falei no post anterior (veja atualização) no Guia da Folha (sem sinopses…) e também recebi uma programção de uma mostra do HSBC sobre Ingmar Bergman. Ui, que cult!