Arquivo da categoria: política

E então, quando eu tinha me esquecido que escrevia muito mais do que escrevo hoje

o Ricardo vem e me relembra tudo.
Cinco Minutos na Cama + Monstro no blog dele

Está sabendo que o Povo do SUL/SUDESTE está colocando culpa em nós nordestinos pela eleição da DILMA?? Qual sua opinião sobre o assunto? http://rmyname.blogspot.com/2010/11/nordestino-sim-nordestinado-nao.html

Acho ridículo! Aliás, acho ridículo que a oposição do governo atual do país seja tão amadora. São poucos os anti-Dilma que eu converso que realmente parecem esclarecidos – a maioria assume uma postura meio discussão de futebol e desculpa, política não é futebol. É risível e demonstra falta de instrução. E antes que alguém ache: não, não sou dilmista, nem torci pelo Serra. Não gostei de nenhuma das 2 opções que nos restaram, mas enfim, agora é torcer pra que tudo dê certo, não é?

Ask me anything

Por você / vou roubar / os anéis / e usar tudo

Veja meus braços.
Eles vão de um lado pro outro.
A garganta trancada
talvez seja encosto,
talvez seja outra
parada.

Agora só uso camisas xadrezes,
elas viraram uma obsessão.

Transformei em trabalho,
enquanto me via,
mas que caralho,
exigindo?
Mas quem era eu pra…
Quem sou eu se-

Uma camisa xadrez,
um cabelo curto,
uma barba bonita,
uma falta de prosa,
de repente virei
outra coisa.

De repente virei
o que era absurdo antes.
De repente virei
o que era impensável antes.
Não é que de repente,
entrementes,
depois de quase 30 anos, então —

Veja meus braços, veja.
Não são, querida Olga,
os movimentos
de uma pessoa livre
e segura?
Quem é essa criatura?

A questão não é ter o filho de Luis Carlos Prestes onde quiser,
mas eu lá quero o Luis Carlos Prestes?

Sim, o processo deve estar no meio,
oh, que emoção,
acho que ele já chegou,
ele está se anunciando,
doce, terno, coerente, a prumo…

Olá, Saturno.

você vai votar nessas eleições? se sim, já sabe em quem?

Tô pensando seriamente em votar nulo… Tá difícil. Nunca fiz isso – sou contra votar nulo – mas olha, tá complexo.

Ask me anything

Militarismo sim

Tem gente que diz que é ridículo estimular uma moda inspirada em uniformes militares. O raciocínio é que isso estaria estimulando e/ou fazendo uma apologia a guerra.

Ah, tá. Então a gente nega o bélico e se pergunta…

1. Por que Obama significava mudança e no entanto as atividades militares do EUA não cessaram?

2. Por que um programa no qual os termos “paredão”, “eliminação” e “guerreiro” (pro que volta do paredão sempre) são comuns exerce tanto fascínio? Espanta o fato que teoricamente um homem que se tornou uma espécie de símbolo da intolerância seja o ganhador da última edição do BBB, mas me espanta mais o fato que as pessoas acreditem, ainda por cima, que aquilo é um microcosmo. Aquilo é um jogo de matar ou morrer. Espero que as pessoas não achem que aquilo é um microcosmo porque aqui é um “matar ou morrer” – não quero matar ninguém nem morrer… mas se for… Moda militar não, BBB sim?

3. Por que o heroísmo de hoje é esquisito? O herói não é a mãe solteira que se vira pra dar conta de tudo e ser feliz; nem a jornada heróica é aquela na qual o importante é o amadurecimento, a conquista de um crescimento espiritual. Alice de Tim Burton é um exemplo. A fábula do crescer em um mundo que não faz o menor sentido se transformou em simplesmente uma… luta entre o bem e o mal. Como se existisse o bem e o mal. E o mal é a Rainha Vermelha, que irônico – será que ela é uma comunista chinesa disfarçada? Alice veste uma armadura (?), empunha uma espada (?!)… Vem cá, só eu achei bizarro? O herói agora parece precisar de uma carga (nem que seja bem pequena) de agressividade e sangue na mão pra agradar o público do cinema de entretenimento.

Tá. E não podemos usar uma moda militar porque é um estímulo.
Pois eu digo que não é um estímulo. É uma resposta. Ou mais: uma defesa?

Meio atrasadinho, sobre a parada

Não quero Parada. Não gosto de Parada. Quem me conhece sabe que eu não acho que a Parada seja um instrumento de pressão política. Quem vai sabe. Dessa vez ouvi gritos do tipo “Boceta à vista” e “Tira o meu bróder da seca”. Além do clássico “viado! viado!”, de bullying de colégio. Isso durante os cinco minutos que apareci por lá. Retrato da sociedade? Pode ser. Mas pra mim, perdeu sentido ir – e faz tempo já. Não me sinto representado, não me sinto bem naquele clima que era de confraternização e agora sei lá do que é. De micareta? De  quase guerra civil? Ir na Parada Gay e sentir MEDO é completamente bizarro. Não faz sentido. É mais uma pegadinha da pós-modernidade.

Militância, pra mim, é outra coisa. E olha que eu fiz PUC, então teoricamente eu sei do que estou falando.

Tina, Leila, María Elena

Finalmente o post tão prometido.

Não se fazem mais mulheres fortes e admiráveis como antigamente. Hoje a gente tem o quê?
Madonna – já nas tabelas.
Amy Winehouse – risos.
No Brasil a coisa fica ainda mais complicada. Camila Pitanga? Marisa Monte?

Estou me referindo a mulheres que revolucionam. Que nos fazem repensar os papéis.

Tina e Leila possuem, nisso, muito em comum.

Tina Modotti já foi atriz, fotógrafa e acabou se tornando uma comunista ferrenha. Morreu em conseqüências esquisitas, em um táxi, em 1942. Tina era fodona: dizem que era uma mulher lindíssima, enlouquecia os homens, provocava ciúme nas mulheres. Posava nua para um de seus amantes – naquela época, pense só. Dizem que um retrato seu alcançou valor recorde em uma casa de leilão. Dizem que quem o arrematou foi… Madonna.
Dizem também que foi ela quem apresentou Frida Kahlo para Diego Rivera. Responsa, né?

Tina era tão malucamente foda que, ao falecer, ganhou poema de Pablo Neruda em sua lápide.
Tina Modotti, hermana, no duermes, no, no duermes.

tina-modotti-bandolier-corn
Bandolier, corn, guitar, de Tina Modotti, 1927. Uma das minhas fotos preferidas dela, apesar de dizerem que o que Tina gostava mais de fotografar eram pessoas.

Veja mais algumas fotos lindas de Tina Modotti. E leia Modotti: uma mulher do século XX, quadrinhos de Ángel de la Calle publicado pela Conrad Editora que é uma das coisas mais fodas. O cara tem o tema tão intrínseco em sua vida (“É um projeto de vida”, me lembra, mais uma frase poderosa saindo da boca de Verônica Veloso) que consegue passar isso para a obra. Você percebe que tudo é autêntico e feito, acima de tudo, com autenticidade, dedicação, amor. Lindo demais.

Ya pasarán un día por tu pequeña tumba
antes de que las rosas de ayer se desbaraten,
ya pasarán a ver, los de un día, mañana,
dónde está ardiendo tu silencio.

Se Leila era tão maravilhosa, mulherão admirável como Tina, a impressão que eu tenho é que a brasileira era mais solar. Também tinha idéias de esquerda mas, antes, parece-se mais com a Tina que viveu no México e fez sua revolução pessoal, com mais ação e menos discurso.

Tina, nessa época, usava calça comprida e vivia com um homem com quem não era casada. Era artista, prafrentex. Leila falava palavrão quando queria, tomava cachaça quando queria, ia para cama com quem queria mas acima de tudo exercia a felicidade. Não fazia as coisas para chocar, fazia as coisas que a deixavam feliz.

Leila Diniz é protagonista de um dos meus filmes preferidos do cinema, e um dos filmes que me fizeram gostar de cinema nacional: Todas as mulheres do mundo. Por causa dele Domingos de Oliveira também se tornou um dos meus cineastas preferidos.

O filme está disponível INTEIRINHO no YouTube, mas eu recomendo comprar em DVD e rever uma vez por ano, para acreditar na humanidade, na beleza, no amor e no mar.


Participação de Leila em Os paqueras, de 1969, no papel… dela mesma! Repara que ela é o maior caroço: pede para experimentar tudo e sai com uma sacolinha! HAHAHA


Leila dança em um show de Dalva de Oliveira, que ela adorava. A atriz não era chique, não era elegante, não era fashionista. Mas eu dançaria com ela SEMPRE.

“Brigam Espanha e Holanda
pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
que nele sabem voar.

Brigam Espanha e Holanda
pelos direitos do mar
porque não sabem que o mar
é de quem o sabe amar”.

A poesia é de Leila Diniz.

Pode ler o artigo da irmã de Leila, Lígia, chamado Leila Diniz: um feminino que se realizou. E corre para comprar Leila Diniz: uma revolução na praia, de Joaquim Ferreira dos Santos, da Companhia das Letras. É um livro lindo, bem escrito, esclarecedor para entender porque essa mulher revolucionou os costumes de sua época.

Finalmente, a María Elena de Penélope Cruz no filme de Woody Allen (a saber, Vicky Cristina Barcelona) por si só é uma proeza. Nenhum cineasta americano tinha conseguido fazer Penélope ficar realmente bonita, no seu auge, como Pedro Almodóvar. Allen conseguiu. E na verdade só a incluo aqui entre Tina e Leila porque María Elena é o arquétipo da artista instigante. Do tipo que mais nos interessa e do tipo que cada vez mais falta: a artista que vive sua arte. Que exerce sua arte plenamente.

Arte está virando trabalho de horário comercial.