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Pecar compensa

Enquanto vários dos 7 pecados capitais parecem atraentes (gula, luxúria, preguiça, avareza pra guardar dinheiro e viajar pra Europa – só coisa boa!), as 7 virtudes são as coisas mais chatas e difíceis do mundo, já viu? Acompanhe:

Castidade – er…
Generosidade – essa eu acho bonita.
Temperança – tipo autocontrole? Acho importante, mas não divertido.
Diligência – eu tenho, e acho chato quem não tem.
Paciência – mas como, com tanta gente besta?
Caridade – importante, mas também tem muita cara de pau que se aproveita. É uma questão complexa.
Humildade – é bom quando todo mundo é, né. Quando só você é, você passa por idiota.

Ou seja, pecar compensa. As 7 virtudes tiveram sua origem em um poema de Prudêncio chamado Psicomaquia.

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Pra ausência dele não há solução, pra todas as outras questões existe o Google

Longe dele,
e quando o pensamento não está nele,
e quando não estou no ioga obrigado a esvaziar a minha mente,
perguntas impossíveis pipocam pela minha testa e braço e mão e perna e virilha e pé e

Existem baleias em Santorini?
A Laika ficou triste quando se viu sozinha no meio das estrelas ou nem ligou?
Que fruto dá no Jequitibá?
Qual é a origem do nome de Anaïs Nin?
Quem é da Índia e é ateu acha o Ganesha fofo ou estranho?
Buñuel encontrou alguém tão loira quanto Catherine Deneuve em sua estadia no México?
Como os saguis dormem, sentados ou deitados?
Tem algum lugar no mundo em que, em algum momento, o céu fica verde?
Kate Moss já tem cabelo branco?
Existe rinite congênita?
Já houve algum suicida que morreu feliz?
Tem canário de estimação em Tóquio?
Quando a gente não sabe contar qual é a diferença entre 5 mil e 5 milhões?
Bebês apreciam o cheiro de lírios?
Petit pois cai bem em gente empoada?
A jaca é ácida quando ainda não amadureceu?
Onde fica Santorini?

Aí eu paro de fingir que tenho insônia,
penso nele
e durmo.

(Santorini fica na Grécia)

Que seja doce

Nostalgia? Não tô gostando disso…

Acontece

Paulo Autran: E você, Clarice, acha que a vida é boa?
Clarice Lispector: É bom ser. Mas só isso.

Do livro “Clarice Lispector – Entrevistas”

Olá Jorge! Peço uma grande gentileza. Estou de férias e quero ler coisas que me acrescetem muito sabe? Gostaria que você recomendasse no mínimo 5 livros que tem alguma importancia na sua vida. MUITO OBRIGADO MESMO!!

CINCO??? vish, deixa eu pensar. Bom, que marcaram minha vida, assim, sem pensar muito: Kitchen da Banana Yoshimoto, Os Dragões não conhecem o Paraíso do Caio Fernando Abreu (mas por causa do conto mesmo, e não do livro inteiro), a biografia do Yves Saint Laurent (acho q é a única q tem tradução, é uma capa amarela), Cem anos de solidão (pra aprender a escrever um pouco mais), Norwegian Wood do Haruki Murakami. Tem mais, mas já tá bom, né? Se vc souber inglês, lê What was the hipster, tô lendo agora e tô fissurado.

Ask me anything

Ele comprou muitas coisas

mas entre as mais significativas estão um pingente cafona no formato de Alexanderplatz, um relógio de titânio (ele, que nunca usou relógios), um livrinho que traz uma coletânea dos fanzines de Harmony Korine para que os anos 90 não sejam esquecidos, um livrinho que se chama What was the hipsters? para que os anos 00 não sejam esquecidos, um livrão sobre a Bauhaus em alemão que ele não vai saber ler (mas com muitas figuras)…

no fundo, as coisas mais significativas não foram as compradas.

existem viagens que servem pra esquecer, outras pra reavivar. ele ainda está tentando entender essa última. mas definitivamente ela não foi uma epifania, uma iluminação nem uma redenção.

ele pensa em chá de hortelã; no sotaque carioca de uma poeta, no sotaque estrangeiro do belga que já morou no interior de SP; em uma caixa grande e cheia de Pequenos Pôneis; na coleção de livros com discos que conta a história dos hits de cada ano da década de 50 pra cá, um livro pra cada ano, a capa do livro de 1968 era ótima e um deles trazia duas músicas brasileiras; na brasileira Valentina que está começando uma marca na Alemanha (Caminho Dourado te deseja sorte, Valentina); na mulher do Frida Kahlo falando gírias brasileiríssimas; na sopa vietnamita tão próxima de uma sopa baiana; na falta de legendas nos DVDs alemães; no currywurst que ele não experimentou; no Benjamin Blümchen e sobretudo na pobre astronauta Erika Klose, que só queria fazer um xixizinho.


ele não assistiu a obra de Fassbinder mas acha essa foto linda.

ele pensa em si.

E então, quando eu tinha me esquecido que escrevia muito mais do que escrevo hoje

o Ricardo vem e me relembra tudo.
Cinco Minutos na Cama + Monstro no blog dele