Pai, afasta de mim esse Rivotril, pai

Minhas cervejas com a Verô invariavelmente são produtivas.
A última foi terça-feira.
Ela disse que ouviu uma reportagem muito interessante no rádio que falava sobre como as pessoas cada vez mais querem preencher e estão em busca de uma felicidade eterna (e, mais do que provavelmente, impossível).
Ninguém sabe lidar com frustração, perda, tédio, tristeza. A gente se enche de vinho, drogas, rock ‘n’ roll. Curtir a fossa é apenas pra ser cool – na maior parte dos casos, se recorre a um especialista que te dará uma pílula que será a resposta de todos os seus problemas.
Quem me conhece sabe que eu não sou a favor da máxima que diz que todo mundo precisa de terapia. Tem quem precise sim, mas não é todo mundo. Eu mesmo não faço. Não é que eu ache que não precise, mas prefiro lidar com meus problemas existencialistas de outras formas: vendo filmes, lendo livros, ouvindo música e… conversando com a Verô e outros amigos que me acrescentam. Sei que não é a mesma coisa, mas não sinto necessidade de ajuda profissional, simplesmente. E não quero tomar nada que me prometa acordar feliz – do mesmo jeito que só uso drogas lícitas porque maconha me faz MUITO mal, ecstasy é legal mas tenho medo de me viciar (e, pra falar a verdade, as músicas que eu gosto quando tomo ecstasy no fundo são muito chatas hahahaha), e as outras drogas me parecem ter efeito bem idiotas.
Quero procurar diversão por outros meios. Bebo bastante sim, mas não é pela procura da felicidade que eu acho que bebo – é porque fico mais solto e me permito passar por coisas e questionamentos interessantes quando estou “no grau”.

Se a gente pensar, como a Verô me disse, os gênios e todos os grandes criadores são eternos angustiados, deprimidos, questionadores. Eles canalizavam essa inquietude numa ação, num pensamento, numa força criativa. Hoje, caminhamos pra (ou estamos em?) uma época de dopados. Uma época sem inquietude. Os demônios se diluem em substâncias químicas, ao invés de serem postos pra fora de maneira lúdica/artística/proveitosa.

O excesso de Rivotril ao meu redor me deprime. Tudo está cada vez mais limpinho e asséptico. E isso me lembra cada vez mais Admirável mundo novo, do Aldous Huxley – o que é uma perspectiva assustadora.

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3 Respostas para “Pai, afasta de mim esse Rivotril, pai

  1. ai eu não quero ser desse grupo de angustiados.
    (locona que não entendeu o post, né? rá!)
    hein, nessa tempestade eu vou ter um blind-date hoje. por isso o post!

  2. Ai jorge ta profundo heim!!! profundo e certeiro ui!!

  3. Já reparou que existe um tipo de padrão em quem toma esses tipos de medicamento?

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