Mitologias da família: Maria Helena

A história de Maria Helena sempre esteve presente na minha cabeça, mas eu meio que duvidava dela. Achava tão ficcional que eu podia ter criado grande parte dela na minha infância criativa.

Hoje tive chance de perguntar alguns detalhes para minha mãe e estou espantado. A maior parte dos detalhes eram realmente os que eu me recordava. E existiam outros dos quais não me lembrava, deliciosamente folhetinescos.

Maria Helena é filha de Helena, que teve uma porrada de filhos em Taubaté. Inclusive, todos os filhos homens adoravam uma bebidinha (pois é, está no sangue). Helena já causou um certo desconforto na família porque casou com um primo de primeiro grau, Clóvis (e, você sabe, todo mundo já parte do princípio que dessa mistura de genes coisa boa não vai sair). Eis que nasce Maria Helena, no meio dessa filharada toda: bonita, de olhos verdes e cabelos castanhos, branquinha, uma graça.
Maria Helena foi estudar no Rio na casa de Tio Minezinho, que era casado com Tia Silvia (não lembro direito se esse era o nome dela). Tia Silvia tinha os cabelos oxigenados e vovô Alexandre, patriarca sério e bravo, não gostava muito dela não – achava-a meio dondoca. Fazer o quê, né, minha gente, Tio Minezinho quis casar e casou, moravam em um prédio bonito em Laranjeiras.
Foi lá que Maria Helena conheceu o irmão de Tia Silvia, José.

José estudava para ser médico, e pelas impressões de mamãe (a minha, que nessa época era pequena), estava mesmo preocupado com a profissão. Mas chegou a ficar noivo de Maria Helena. SÓ QUE Maria Helena engravidou. E ele não quis saber – se engraçou com uma médica e largou Maria Helena para viver com a outra fofa.

O filho de Maria Helena cresceu, e pelo que entendi o pai reconheceu etc. Só que Maria Helena ficou mal falada, afinal era noiva, deu, engravidou, teve o filho e ele largou, e naquela época isso era AI QUE LOUCURA AI QUE ABSURDO. Minha mãe foi proibida de ficar amiga dela (!!!). Teve quem colocou a culpa na coitada da Tia Silvia, que não cuidou direito de Maria Helena enquanto ela estava no Rio – detalhe, ela tinha quase 30 anos quando foi para lá!

Maria Helena continuou vivendo, e continuou solteiríssima, enquanto José vivia com a médica e teve, pelo que mamãe se lembra, dois filhos com ela. A filha mais velha nasceu com síndrome de down, enquanto o bastardo se formou pelo ITA.

Na década de oitenta, a tal da médica largou José. Adivinha o que ele fez? Foi para Taubaté tentar reatar com Maria Helena. Eles tinham cerca de 50 anos.

Maria Helena ACEITOU.

Compraram casa e tudo o mais. Até que, quando estava tudo certo para eles juntarem os trapinhos e Maria Helena está no ônibus para encontrar com o seu ex-e-novamente-noivo no Rio… ELE MORREU.

E o que Maria Helena fez? Botou fogo na casa que eles tinham comprado.

BOTOU FOGO.

Não morreu.

Helena, a mãe, aos 80 anos, tentou se matar cortando os pulsos. Estava “Muito difícil”, pelo que ela disse (acho) para meu avô, seu irmão. Morreu um pouco depois. Maria Helena deve continuar viva até hoje, e eu morro de vontade de encontrá-la.

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4 Respostas para “Mitologias da família: Maria Helena

  1. Em breve, a nova novela de Manoel Carlos.

  2. Caramba, nunca soube desta história… se vc for encontrar Maria Helena, me avise que quero ir junto!

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