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2011, um ano surpresa

Minhas metas pra 2011 eram:
juntar dinheiro pra viajar;
receber a herança pra viajar;
fazer yoga;
comer menos.

Sabe qual que eu cumpri?
Nenhuma. E 2011 foi maravilhoso.

Vamos lá:
. 2011 foi o ano dos 30. Eu descobri que ter 30 é tipo ter 20, mas com mais dinheiro. É sério!
. Talvez por agora eu ter 30 lembrei de muita coisa. Fiquei lembrando, lembrando. Lembrei que eu amava Doors. David Bowie. Lembrei de um monte de música que eu amava. Baixei tudo de novo.
. Morei com a Talita esse tempo todo e a gente não se matou. Pelo contrário, a gente se amou horrores.
. Fui pro Rio, foi OK.
. De repente pintou uma coisa esquisita enquanto eu estava no Rio.
. Foi legal.
. Virou bizarro.
. Escafedeu-se e eu prometi que nunca mais faria isso de novo.
. Fiz isso de novo, e acho que foi menos de um mês depois de prometer não fazer.
. Adorei e adoro.
. People are strange.
. Assisti uma penca de shows. Passeei uma penca em SP mesmo. Comprei um iPhone. Joguei Pokemon. Não viajei mas foi como se fosse.
. De repente pensei em casamento e percebi que eu sou um bobo falastrão que sempre fica falando coisas, pensando outras e ainda fazendo outras. Mudo de ideia e todo mundo fica pra mim: “Ué, mas não era você que odiava casamento?” Mas até aí, quem nunca.
. Nunca escrevi tão pouco aqui. Mas isso é um sinal: sinal de que estou preferindo viver lá fora.

Planos pra 2012?
Continuar exatamente do mesmo jeito.
Só que completamente diferente.

E aí tiveram as férias

Foram lindas.
Miles Davis + Solar da Fossa + passear no centro + desenhos de homens das cavernas + Mariko Mori + Busca Vida + Jobi + Chanel No. 5 + Professora sem classe + Changeman + Pokemon + Hedwig + música + Quero matar meu chefe

+ vida, sei lá

Férias, esse dilema

Eu adoro férias. As minhas chegam daqui um mês. Mas com elas surge o problema: o que fazer? A obrigação de me divertir nas férias sempre me irritou – do mesmo jeito que me irrita ter que pular carnaval no carnaval e ter que ficar bonzinho no Natal e ter que comemorar e dar risada e ser horrores de feliz no ano novo. Tipo mideixa. Mas ao mesmo tempo se você passa as férias sem viajar nem fazer nada por você rola uma deprê, né? Então tô assim no maior dos nervos – ou seja, as férias, ao invés de serem uma solução, criaram um problema!

Mas como eu sou capricorniano, decidi criar itens e escolher um (ou alguns) e pronto. Na praticidade. E vou escrevê-los aqui pra eles ficarem mais claros pra mim, depois vocês descobrem qual eu escolhi.

. Viajar. Claro. Mas provavelmente sozinho – meu namorado vai passar 20 dias em Fortaleza e a Talita já me disse que vai ser difícil ela conseguir $$$ pra viajar. Não curto muito a ideia de viajar sozinho. As opções são:
. Rio, que eu sempre vou, mas tenho onde ficar e encontro minha irmã e os gêmeos.
. Algum outro lugar do Brasil que eu ainda não conheça – mas gostaria que fosse uma viagem barata. Será possível?
. Buenos Aires, que eu ainda não conheço. Mas será que deveria ir sozinho?
. Machu Picchu em uma excursão. Sério. Tô pensando seriamente nisso! HAHAHA
. Encontrar alguma passagem barata que caia no meu colo nesse período. Aceito sugestões.

. Preciso fazer umas coisinhas de casa, tipo organizar as músicas no meu lap (sério, uma pessoa com TOC teria uma síncope se visse o estado da organização dos MP3s), doar livros, me desfazer de caixas. Com disciplina, faço isso em 4 dias de férias e tá ótimo.

. Queria andar pelo centro sem rumo pra descobrir lugares. Isso eu também faço em 2 dias e depois enjôo. haha

. Quero assistir Sessão da tarde pelo menos 2 dias. E de preferência, seguidos.

. Quero ler, quero estudar. Qualquer coisa. Quero me sentir menos burro. Acho que vou comprar a biografia do Jango. Sério.

Pronto. Tá bom de plano de férias? Vocês tem alguma sugestão?

Um choque de realidade

A gente se espanta com tsunami e com espancamento covarde na rua porque
é tão real
e estamos vivendo num mundo onde tudo
sounds so fake
as the fake iceberg
no meio dos
real icebergs -
o que é importante?

A minha alergia é real e me assusta,
o meu look do dia que me deixou cafona não me assusta em nada,
a batida de carro é real e me assusta,
as simulações com manequins dentro de grandes câmaras de ar em postos de gasolina que apareceram recentemente são de uma irrealidade tão cretina e grotesca que me fazem rir.

Estou aqui sonhando com Ipanema e sentindo saudade da realidade,
enquanto não entendo & entendo a fé
ao mesmo tempo.

O Rio é real e bonito. Isso me conforta.

Chegou a hora da… RETROSPECTIVA 2011 DO CAMINHO DOURADO

Pra quem não sabe, sempre rola um balanço do que aconteceu durante o ano aqui, aberto a todos. Acho que eu faço isso porque assim fica mais fácil concatenar as ideias.

Eu costumava fazer em tópicos, dessa vez vou fazer de outro jeito.

2010 começou em São Jorge de um jeito lindo, eu descobrindo que a vida pode ser mais simples. Aí o que houve?

. Houve um breve acidente ridículo de percurso que não tinha nada a ver com nada e eu já tratei de afogar bem afogadinho no cemitério dos cães malditos assim que me toquei que cão que ladra é na verdade um bode.

. Houve o começo de O que ali se viu. A gente (o coletivo teatro Dodecafônico) ganhou o edital do Sesi!

. Compramos umas brigas aí. Aviso: continua comprada.

. Houve Canoa Quebrada e umas feriazinhas ótimas no Rio, que eu tirei pra decidir o que eu queria.

. Aí eu (achei que) decidi o que queria. E por mim.

. A seita decidiu que não pegaria mais gente com quadril menor que o nosso. Não cumpriu.

. Aí descobri que os melhores amigos são os antigos, mas não deixei de fazer novos.

. Nesse meio tempo, me apaixonei por Gordon Matta-Clark, Queen, Led Zeppelin, camisas xadrezes, Tiê, Tulipa, “Coração” do Aviões do Forró, “Madri” de Fernando e Sorocaba, Twiggy cantando, Ana Elisa Egreja, Antonio Variações, Céline, Martin Parr, The Runaways, Yves Saint Laurent (eu já era apaixonado e apaixonei um pouco mais), smoking em geral…

. Aí eu revi umas pastas de papéis velhos. Foi difícil reencontrar comigo. Minha irmã mudou pra casa da minha mãe e eu tive que retirar o resto das coisas de lá. Foi estranho.

. Aí O que ali se viu estreou!!!

. Aí eu fui pra Berlim e percebi que estava gastando dinheiro e energia nas coisas erradas.

. Aí eu voltei pra SP e em dezembro invasões alienígenas sempre acontecem. Foi aí que me apaixonei pela Laika e fiz as pazes com cachorros.

. Aí eu resolvi que sou artista de novo, apesar de nunca ter sido.

. Aí eu cheguei no fim do ano com… METAS. Coisa que eu nunca tive.
Minhas metas são: juntar dinheiro pra viajar;
receber a herança pra viajar;
fazer yoga;
comer menos.

O resto a gente sabe fazer.

Feliz ano novo, meus amores.

Algo me diz que 2011 vai ser melhor que 2010! E olha que 2010 foi ótimo!

Vc viaja mto?

Pelo Brasil, sim. Vou pelo menos 2 x por ano pro Rio, costumo ir pra BH tb, às vezes pra Brasília e às vezes Fortaleza. E gostaria de viajar mais, na verdade, mas o dinheiro e o tempo não permitem hehehe

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Mais um dia no Rio por causa de uma peça

“Do fundo do lago escuro” está em cartaz em um dos teatros do Shopping da Gávea, o Teatro das Artes, numa temporada de horários peculiares: segunda a quinta-feira. Acho bem legal o teatro no Rio em geral, parece mais cheio. Imagine que ontem, segunda, a sala, se não estava lotada, tinha um bom público.

E “Do fundo” é uma peça de Domingos de Oliveira que já foi montada antes mas pela primeira vez ele dirige e faz um dos papéis. Esse post é só pra avisar que a peça é muito legal e que, apesar de ser R$ 50, quem tem pré-pago do metrô paga meia (ou seja, não pague de idiota e compre um pré-pago do metrô por R$ 10 – o mínimo – e dará, no fim, R$ 35). Sou suspeito porque adoro Domingos Oliveira e tudo que vem dele (nem tudo, a Maria Mariana é meio chata), e essa peça é meio sentimental do tipo nostálgica, ele deu um tom meio comédia… Em suma: divertimento bacana pra um dia de semana sem graça.

E agora tchau que eu vou me despedir do mar.

Viajo porque preciso

não volto.

***

Tipicamente paulistano
Tentando passar em vão pelos cariocas
Agindo como se estivesse na Teodoro
em plena Visconde de Pirajá.
E pressa de quê?
Correr pra onde?

Agradeço por me fazer andar devagar
à força
e a calçada é larga
o coração é grande
as histórias são mais longas,
mais complicadas,
as linhas são tênues
as realidades são multifacetadas

***

e os tetos, alguns,
são de vidro.

Why don’t you
leva uma vida que te faça encostar a cabeça no travesseiro com tranquilidade
as Mrs. Vreeland would say to someone like you?

***

Gordon Matta-Clark é tudo. Fui na exposição no Paço Imperial (a que estava no MAM em SP). Muito doido. Acho muito legal essas apropriações de espaços e essas pirações com arquitetura, mas minha obra preferida é Fresh Air, a performance com o carrinho com oxigênio nas ruas de NY. É o tipo de performance que eu gosto, que desperta reflexão e ao mesmo tempo tem um traço de ironia.

***

Viajo porque preciso, volto porque te amo é um filme pra ser visto em um momento específico da sua vida. O meu era agora. E o seu?

Agora que entendi o que estou fazendo!

Mas o que estou fazendo?

Bora arrumar a mala porque cabeça vazia, morada você sabe de quem.

Acontece que

Sempre fui meio brigado com o MEIO da moda em si – mais do que com o assunto.
Ontem, conversei com o meu guru (AKA Paula ou Ariane, vocês escolhem) e, para variar, reclamei. “Ah, porque é muita gente rasa, muita gente com valores rasos, muita gente que acha importante outras coisas que EU não acho…” etc etc etc. Ariane me contou que no meio dela – ela é professora formada em Letras – também existe um vício: o da baixa auto-estima. Você PRECISA ser assim – e se começar a demonstrar muita felicidade… começa a ser mal-falada! “Ah, você viu? Ela foi para Ubatuba… e está toda toda com esse brinco novo!”.

Ou seja, todo o meio tem suas peculiaridades e picuinhas. Normal.

Só que hoje Lu Bugni mandou um email para Ivi e Charles que, de tão piegas, mereceu ser dividido comigo também. Nele, ela conta que precisa agradecer ao “deus fashion” porque foi por causa dele que somos (todos nós quatro) amigos – isso no caso dela para nós, porque eu e Ivi nos conhecemos antes de virar esses fashionistas de merda que somos. E Charles eu e Ivi conhecemos no Chic.
Explico: Lu cobria moda para o Diário do Grande ABC e ia para o Fashion Rio. Ela pensava enquanto estava na van dos jornalistas: “nenhum fashionista vai querer ser meu amigo”.  Charles, provavelmente reparando no tamanho dos atributos de Lu, foi lá todo-todo e disse “oi, eu sou o Charles”.
E foi assim!

Considero a Lu muito mais minha amiga do que muita gente do meio. Porque não é uma questão exatamente de interesses em comum, mas de clima. O nosso clima é mais parecido. A gente está mais para o Empanadas do que para o Dry – não que eu me orgulhe disso, é apenas um fato.

That means… tudo é relativo mesmo. A moda pode ser legal e te trazer coisas boas, como o desfile do Ronaldo Fraga, a Lu Bugni ou uma festa em que você bebe tudo o que consegue ingerir gratuitamente.