Não quero Parada. Não gosto de Parada. Quem me conhece sabe que eu não acho que a Parada seja um instrumento de pressão política. Quem vai sabe. Dessa vez ouvi gritos do tipo “Boceta à vista” e “Tira o meu bróder da seca”. Além do clássico “viado! viado!”, de bullying de colégio. Isso durante os cinco minutos que apareci por lá. Retrato da sociedade? Pode ser. Mas pra mim, perdeu sentido ir – e faz tempo já. Não me sinto representado, não me sinto bem naquele clima que era de confraternização e agora sei lá do que é. De micareta? De quase guerra civil? Ir na Parada Gay e sentir MEDO é completamente bizarro. Não faz sentido. É mais uma pegadinha da pós-modernidade.
Militância, pra mim, é outra coisa. E olha que eu fiz PUC, então teoricamente eu sei do que estou falando.
Não se fazem mais mulheres fortes e admiráveis como antigamente. Hoje a gente tem o quê?
Madonna – já nas tabelas.
Amy Winehouse – risos.
No Brasil a coisa fica ainda mais complicada. Camila Pitanga? Marisa Monte?
Estou me referindo a mulheres que revolucionam. Que nos fazem repensar os papéis.
Tina e Leila possuem, nisso, muito em comum.
Tina Modotti já foi atriz, fotógrafa e acabou se tornando uma comunista ferrenha. Morreu em conseqüências esquisitas, em um táxi, em 1942. Tina era fodona: dizem que era uma mulher lindíssima, enlouquecia os homens, provocava ciúme nas mulheres. Posava nua para um de seus amantes – naquela época, pense só. Dizem que um retrato seu alcançou valor recorde em uma casa de leilão. Dizem que quem o arrematou foi… Madonna.
Dizem também que foi ela quem apresentou Frida Kahlo para Diego Rivera. Responsa, né?
Tina era tão malucamente foda que, ao falecer, ganhou poema de Pablo Neruda em sua lápide. Tina Modotti, hermana, no duermes, no, no duermes.
Bandolier, corn, guitar, de Tina Modotti, 1927. Uma das minhas fotos preferidas dela, apesar de dizerem que o que Tina gostava mais de fotografar eram pessoas.
Veja mais algumas fotos lindas de Tina Modotti. E leia Modotti: uma mulher do século XX, quadrinhos de Ángel de la Calle publicado pela Conrad Editora que é uma das coisas mais fodas. O cara tem o tema tão intrínseco em sua vida (“É um projeto de vida”, me lembra, mais uma frase poderosa saindo da boca de Verônica Veloso) que consegue passar isso para a obra. Você percebe que tudo é autêntico e feito, acima de tudo, com autenticidade, dedicação, amor. Lindo demais.
Ya pasarán un día por tu pequeña tumba
antes de que las rosas de ayer se desbaraten,
ya pasarán a ver, los de un día, mañana,
dónde está ardiendo tu silencio.
Se Leila era tão maravilhosa, mulherão admirável como Tina, a impressão que eu tenho é que a brasileira era mais solar. Também tinha idéias de esquerda mas, antes, parece-se mais com a Tina que viveu no México e fez sua revolução pessoal, com mais ação e menos discurso.
Tina, nessa época, usava calça comprida e vivia com um homem com quem não era casada. Era artista, prafrentex. Leila falava palavrão quando queria, tomava cachaça quando queria, ia para cama com quem queria mas acima de tudo exercia a felicidade. Não fazia as coisas para chocar, fazia as coisas que a deixavam feliz.
Leila Diniz é protagonista de um dos meus filmes preferidos do cinema, e um dos filmes que me fizeram gostar de cinema nacional: Todas as mulheres do mundo. Por causa dele Domingos de Oliveira também se tornou um dos meus cineastas preferidos.
O filme está disponível INTEIRINHO no YouTube, mas eu recomendo comprar em DVD e rever uma vez por ano, para acreditar na humanidade, na beleza, no amor e no mar.
Participação de Leila em Os paqueras, de 1969, no papel… dela mesma! Repara que ela é o maior caroço: pede para experimentar tudo e sai com uma sacolinha! HAHAHA
Leila dança em um show de Dalva de Oliveira, que ela adorava. A atriz não era chique, não era elegante, não era fashionista. Mas eu dançaria com ela SEMPRE.
“Brigam Espanha e Holanda
pelos direitos do mar
O mar é das gaivotas
que nele sabem voar.
Brigam Espanha e Holanda
pelos direitos do mar
porque não sabem que o mar
é de quem o sabe amar”.
A poesia é de Leila Diniz.
Pode ler o artigo da irmã de Leila, Lígia, chamado Leila Diniz: um feminino que se realizou. E corre para comprar Leila Diniz: uma revolução na praia, de Joaquim Ferreira dos Santos, da Companhia das Letras. É um livro lindo, bem escrito, esclarecedor para entender porque essa mulher revolucionou os costumes de sua época.
Finalmente, a María Elena de Penélope Cruz no filme de Woody Allen (a saber, Vicky Cristina Barcelona) por si só é uma proeza. Nenhum cineasta americano tinha conseguido fazer Penélope ficar realmente bonita, no seu auge, como Pedro Almodóvar. Allen conseguiu. E na verdade só a incluo aqui entre Tina e Leila porque María Elena é o arquétipo da artista instigante. Do tipo que mais nos interessa e do tipo que cada vez mais falta: a artista que vive sua arte. Que exerce sua arte plenamente.
A coluna da Ale no iG. Tava esperando para ver o que ela falava sobre o Claro Rio Summer – era a única que eu ainda não tinha ouvido a opinião e que eu queria saber o que estava pensando.
Vale a pena – ela chama o Rio Summer de movimento político. Concordo mega. Como meu cunhado disse: “Se o Nizan te chamar para um evento, você não vai? Claro que você vai. Você pode precisar desse cara a qualquer momento!”.
Não se esqueça que Nizan tem algumas das maiores contas publicitárias do país. Isso move MUITO dinheiro, inclusive e sobretudo da mídia. E politics are money, honey.
Quem me conhece e tem conversado comigo por esses dias sabe que eu estou aficcionado em Michelle Obama. Quem acompanha o Abril.com também.
Esse texto ótimo é para imprimir e ler com calma.
Eu estou dizendo: Michelle Obama vai mudar a cara da moda. Vocês vão ver. Because we canchange it. Risos.
Michelle Obama, o melhor ícone de estilo para uma era de crise econômica.
Michelle tem looks simples e “diretos”. Eles comunicam “sou elegante, tenho porte”. Eles não comunicam “sou rica”. Ou seja, ela entendeu (conscientemente ou não) que hoje o que o povo quer ver é uma pessoa como eles, fina, que não precisa de muito dinheiro, que não usa Prada (esse vestido é Thakoon).
Durante os próximos quatro anos, na minha opinião, Michelle será das mais copiadas. Tchau, Kate Moss!
Mas gente.
E se Obama perder? O povo vai se manifestar CONTRA McCain?
Aliás, quais serão os significados de uma derrota de Obama? Os EUA continuam racistas? A cultura do medo ganhou? Vitória da caretice – e afinal que caretice, a menos careta?
Todas as anteriores? Nenhuma?
Nessas, eu e Bia fazemos um novo bordão:
Essa Flórida só me flóride.
Carol me disse que ela leu que vários bancos estão cortando empréstimos pessoais.
Bancos brasileiros, se é que você ainda acha que tudo está acontecendo bem longe de você: Bradesco etc.
Achei esse trecho de um artigo de Sarah Mower (para quem não sabe, editora de moda do Telegraph londrino) muito incrível:
One morning, in my hotel lift, I heard two of them discussing a collection they’d just seen. “That was bad. But maybe we could do the party dresses,” hissed one, with a pinched face. “Forget it,” her boss snapped. “What planet are you on? There aren’t going to be any parties.”
É, pessoal. A festa acabou. Acho que vi o Lula falando AGIOTAGEM na TV ou foi impressão?
Li as semanais (Época e Veja) no fim de semana, e é inevitável que elas toquem o terror – afinal, notícia boa é notícia que te deixa em choque, né? Fiquei receoso, sim. A Época me disse (adoro dizer “A Vogue me disse”, “A Rolling Stone me disse” – revistas são pessoas?) que o Brasil está bem mais preparado, que não vai sofrer tanto… Hum, sei não.
Ah, e eu não costumo ler os artigos da Sarah Mower, fui por sugestão do Luigi.
Para mim, hoje, depois de pensar bastante, acho que a coleção de Marc Jacobs foi a melhor da temporada não apenas pela imagem de moda que passou. Mas pelos significados por trás dela. Acho meio romântico demais olhar para um certo “passado pobrinho” para fazer as roupas que as “riquinhas do presente” querem usar, mas ao mesmo tempo, nossa, que roupa de verdade.