Sirenes dominam as ruas hoje.
São bombeiros, policiais, ambulâncias.
Descobriram.
Paixão pode matar.
Sirenes dominam as ruas hoje.
São bombeiros, policiais, ambulâncias.
Descobriram.
Paixão pode matar.
Categorias: poesia
Porque fazia tempo que eu não passava pela estação Ana Rosa.
Porque faz tempo várias coisas.
Porque o fim de semana acabou.
Porque a cama está toda desarrumada
e o deslocamento de corpos
não necessariamente acontece
com a mesma velocidade e na mesma direção
que o deslocamento das almas.
Porque eu não posso ter gatos,
eu espirro.
Não posso fumar maconha,
dá pânico.
Não tem Hilda Hilst,
Ana Cristina César
ou Nylon Japão que conforte.
Não tenho uma conta bancária infinita
e queria viajar todos os dias.
Porque o mundo fica
infinitamente
mais imbecil sem ele ao lado.
Categorias: amor · eu eu eu · poesia
Etiquetado: Ana Cristina César, Ana Rosa, gatos, Hilda Hilst, maconha, Nylon Japan
A orelha dele era tão pequena
que eu podia levá-la no bolso
e todo dia às 17h
sussurrar pra dentro dela
“te adoro”
“saudade”
“se você não chegar logo
eu desmaio”
Da aridez se fez um temporal.
Vi pingos grossos de chuva
de dentro do McDonald’s,
o parquinho do Ronald vazio -
nenhuma criança brincava -
mas eu não estava triste.
Só estava fora do eixo.
Só estava por fora.
Só estava.
Sinto tontura na cadeira do hotel.
Toda vez que sento, batata.
Batata é do grupo que Antonia chama
de calorias vazias.
Devem ser evitadas.
Evito? Corro?
De encontro com
ou ao encontro de?
De encontrão,
de esbarrão -
me diz você,
essa tontura
é amor
ou é o calor?
Categorias: amor · belo horizonte · brasília · poesia
Etiquetado: Antonia Petta, batata, caloria vazia, McDonald's
Quer tanto ver pega um retrato
e guarda na carteira.
O filme entrará em cartaz em pouquíssimas sessões
da Mostra Internacional competitiva
e não, não entrará em circuito nacional, porém
talvez ocorram mais algumas exibições pra poucos
e bons
em pequenas mostras sobre coisas maravilhosas,
esplendorosas,
e esquisitas
daquelas que entram no CCBB
e absolutamente ninguém do seu círculo social
fica sabendo.
Diga, caro frequentador do Reserva.
Quer ver o filme pra
aplacar seu ego cinéfilo?
Chegar a conclusão que não valia mesmo a pena
comprá-lo e exibi-lo
no cinema mais próximo?
Pra sofrer por não ter assistido antes,
não ter feito mil sacrifícios na Amazon
em 24 vezes no cartão?
Ou então, ah,
você tem cara disso,
quer ver pra compará-lo com o blockbuster hollywoodiano
localizável em qualquer locadora?
Pois saiba que esse petardo
está destinado a ser aquele tipo de cult
que quase ninguém assistiu mas
todo mundo comentou
entre uma frase sobre a suicida Sarah Kane
e um MP3 do The Shaggs.
“Deve ser enfadonho”, pensam,
“mas como saber com certeza?
Um comentou que tem três horas e meia
e outro disse que foi tão rápido…”
Mas, amor,
que filme de fases!
Só de pensar na fila
já me dá gases!
***
Pós-dramático
Póstumo
Um recado no post-it dizendo
“Não esqueça de ir a Brasília
e antes passar na farmácia
pra comprar Sorine.
Esse sorriso deixou seu ar completamente seco.”
Categorias: brasília · conjecturas · eu eu eu · poesia
Etiquetado: Brasília Fashion Festival, CCBB, Mostra Internacional de Cinema, Reserva Cultural, Sarah Kane, Sorine, The Shaggs
andava na rua, tristíssimo e sem perspectiva
apareceu uma lufada de encantamento
pelos fones
dizendo que the horses
are coming
you better
run run run
faster
É ISSO
corre, filhinho,
não se faz de coitadinho,
não merecedor das graças não alcançadas,
CORRE
E ENGOLE ISSO
SENÃO VAI FICAR MAIS CINCO MINUTOS DE CASTIGO!
CORAJOSO
CHEIO DE SI
SEGURO
BRAVE AS
um filhote de pinguim passeando no zoológico.
Ana Laura AKA DJ Mulher AKA ruivita é uma videoartista foda.
Pede pra ela uma versão CORTE DO DIRETOR da nouvelle vague que a gente fez um dia. SÉRIO. Por favor.
So nice.
Categorias: amigos · amor · arte · poesia
Etiquetado: Ana Laura Mello, vídeo, videoarte, Vincent Gallo Emulator
Sabe, uma vez – e foi uma única mesmo – eu disse pra uma pessoa que se ela me visse na rua, era pra ela atravessar pro outro lado. Pra ela não me cumprimentar. Pra ela sumir.
Fazia sentido eu dizer aquilo naquele momento – faz tempo – mas hoje eu nunca diria isso pra essa pessoa, nem pra ninguém. Não sinto a menor raiva dessa pessoa, de coração. Estou tranquilo. Faço o que posso. De boa. Faço mesmo.
A cama está arrumada, eu posso vê-la arrumada
mas ela está desarrumada, não vê, essa zona
em cima da cama, essa caos por todo entorno,
esse cheiro de rosas
do crucifixo romano
talvez não seja a única coisa
que está me deixando
levemente
- temporariamente -
zonzo.
Cominho. Lagosta. Sushi de pepino. Macarrão com molho quatro queijos. Mojito. Onion rings. Quiche de alho poró. Risoles. Pizza portuguesa. Curry. Figos em calda. Sopa de mandioquinha com carne seca. Alface. Empanada de palmito. Chilli. Tabule. Vitamina de mamão com laranja. Vinagrete. Agrião. Abacate com açúcar e leite. Páprica. Papaia com cassis. Couve. Tropeirão. Pastel de carne. Brócolis. Strogonoff. Foundue. Yakibifun. Moti. Chá verde. Chá branco. Chá mate.
Eu.
Let me take my scarf off.
No
No
No.
Categorias: conjecturas · poesia
Etiquetado: No No No, Yoko Ono