A orelha dele era tão pequena
que eu podia levá-la no bolso
e todo dia às 17h
sussurrar pra dentro dela
“te adoro”
“saudade”
“se você não chegar logo
eu desmaio”
Entradas categorizadas em ‘poesia’
Pé do ouvido
Novembro 15, 2009 · Deixe um comentário
Da aridez
Novembro 4, 2009 · 1 Comentário
Da aridez se fez um temporal.
Vi pingos grossos de chuva
de dentro do McDonald’s,
o parquinho do Ronald vazio -
nenhuma criança brincava -
mas eu não estava triste.
Só estava fora do eixo.
Só estava por fora.
Só estava.
Sinto tontura na cadeira do hotel.
Toda vez que sento, batata.
Batata é do grupo que Antonia chama
de calorias vazias.
Devem ser evitadas.
Evito? Corro?
De encontro com
ou ao encontro de?
De encontrão,
de esbarrão -
me diz você,
essa tontura
é amor
ou é o calor?
Categorias: amor · belo horizonte · brasília · poesia
Etiquetado: Antonia Petta, batata, caloria vazia, McDonald's
A Monstra Internacional
Outubro 21, 2009 · Deixe um comentário
Quer tanto ver pega um retrato
e guarda na carteira.
O filme entrará em cartaz em pouquíssimas sessões
da Mostra Internacional competitiva
e não, não entrará em circuito nacional, porém
talvez ocorram mais algumas exibições pra poucos
e bons
em pequenas mostras sobre coisas maravilhosas,
esplendorosas,
e esquisitas
daquelas que entram no CCBB
e absolutamente ninguém do seu círculo social
fica sabendo.
Diga, caro frequentador do Reserva.
Quer ver o filme pra
aplacar seu ego cinéfilo?
Chegar a conclusão que não valia mesmo a pena
comprá-lo e exibi-lo
no cinema mais próximo?
Pra sofrer por não ter assistido antes,
não ter feito mil sacrifícios na Amazon
em 24 vezes no cartão?
Ou então, ah,
você tem cara disso,
quer ver pra compará-lo com o blockbuster hollywoodiano
localizável em qualquer locadora?
Pois saiba que esse petardo
está destinado a ser aquele tipo de cult
que quase ninguém assistiu mas
todo mundo comentou
entre uma frase sobre a suicida Sarah Kane
e um MP3 do The Shaggs.
“Deve ser enfadonho”, pensam,
“mas como saber com certeza?
Um comentou que tem três horas e meia
e outro disse que foi tão rápido…”
Mas, amor,
que filme de fases!
Só de pensar na fila
já me dá gases!
***
Pós-dramático
Póstumo
Um recado no post-it dizendo
“Não esqueça de ir a Brasília
e antes passar na farmácia
pra comprar Sorine.
Esse sorriso deixou seu ar completamente seco.”
Categorias: brasília · conjecturas · eu eu eu · poesia
Etiquetado: Brasília Fashion Festival, CCBB, Mostra Internacional de Cinema, Reserva Cultural, Sarah Kane, Sorine, The Shaggs
where he lies
Agosto 13, 2009 · Deixe um comentário
andava na rua, tristíssimo e sem perspectiva
apareceu uma lufada de encantamento
pelos fones
dizendo que the horses
are coming
you better
run run run
faster
É ISSO
corre, filhinho,
não se faz de coitadinho,
não merecedor das graças não alcançadas,
CORRE
E ENGOLE ISSO
SENÃO VAI FICAR MAIS CINCO MINUTOS DE CASTIGO!
CORAJOSO
CHEIO DE SI
SEGURO
BRAVE AS
um filhote de pinguim passeando no zoológico.
Eu já disse isso?
Agosto 9, 2009 · 1 Comentário
Ana Laura AKA DJ Mulher AKA ruivita é uma videoartista foda.
Pede pra ela uma versão CORTE DO DIRETOR da nouvelle vague que a gente fez um dia. SÉRIO. Por favor.
So nice.
Categorias: amigos · amor · arte · poesia
Etiquetado: Ana Laura Mello, vídeo, videoarte, Vincent Gallo Emulator
Duas horas e vinte minutos
Julho 14, 2009 · 2 Comentários
Sabe, uma vez – e foi uma única mesmo – eu disse pra uma pessoa que se ela me visse na rua, era pra ela atravessar pro outro lado. Pra ela não me cumprimentar. Pra ela sumir.
Fazia sentido eu dizer aquilo naquele momento – faz tempo – mas hoje eu nunca diria isso pra essa pessoa, nem pra ninguém. Não sinto a menor raiva dessa pessoa, de coração. Estou tranquilo. Faço o que posso. De boa. Faço mesmo.
A cama está arrumada, eu posso vê-la arrumada
mas ela está desarrumada, não vê, essa zona
em cima da cama, essa caos por todo entorno,
esse cheiro de rosas
do crucifixo romano
talvez não seja a única coisa
que está me deixando
levemente
- temporariamente -
zonzo.
Cominho. Lagosta. Sushi de pepino. Macarrão com molho quatro queijos. Mojito. Onion rings. Quiche de alho poró. Risoles. Pizza portuguesa. Curry. Figos em calda. Sopa de mandioquinha com carne seca. Alface. Empanada de palmito. Chilli. Tabule. Vitamina de mamão com laranja. Vinagrete. Agrião. Abacate com açúcar e leite. Páprica. Papaia com cassis. Couve. Tropeirão. Pastel de carne. Brócolis. Strogonoff. Foundue. Yakibifun. Moti. Chá verde. Chá branco. Chá mate.
Eu.
Let me take my scarf off.
No
No
No.
Categorias: conjecturas · poesia
Etiquetado: No No No, Yoko Ono
Ah, se além daqui
Junho 1, 2009 · Deixe um comentário
Ah, se além daqui
eu soubesse que existe um mais divertido lá
e soubesse o caminho pra chegar
eu corria.
Categorias: poesia
Coalhada seca
Maio 24, 2009 · 2 Comentários
Eu estava num restaurante árabe. Importante deixar claro: era um restaurante árabe.
O garçom veio até a mesa e disse: não tem coalhada.
Eu respondi: não pedi coalhada.
Ele repetiu: não tem coalhada, com cara de quem pede desculpas pelo fato de um restaurante árabe não ter coalhada.
Falei OK, peguei minhas coisas e saí sem olhar o resto do cardápio.
Não que eu não tenha gostado do restaurante, já que não experimentei nada do que ele oferecia.
Agora, se me perguntarem sobre o restaurante… eu sei o que vou dizer.
Categorias: amor · comida · conjecturas · poesia



