Caminho Dourado

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Alphaville

Novembro 1, 2009 · 1 Comentário

Falavam sobre Brasília na van enquanto eu morria de sono e observava as carcaças de concreto vazias pela janela.
Falavam que Brasília era uma cidade cruel.
Falavam que Brasilia era uma cidade que não era feita pra pessoas.
“Olha esse tanto de concreto, que horrível”

Enquanto isso, eu pensava em como estava arrependido de não ter ficado dormindo no hotel e em como acho Brasília bonita.

Um vasto vazio.
A paisagem construída.

“Brasília é uma cidade pra carros”

All the modern things
like cars and such
have always existed

“Brasília é uma cidade que não tem calçadas”
Brasília é uma cidade que a gente inventou e não dá conta da própria invenção.
Amo a ideia dessa cidade estranha, considerada cruel por alguns, que não tem calçada, que foi feita pra ser planejada e entendida e no fim ninguém entende. Um plano que não deu certo.

Um dia vou pedir pra Verô pra gente pensar em uma peça sobre Brasília.
Uma Alphaville, como Isaura S/A era uma Alphaville, mas sem água.
Um teatro que não é teatro sobre uma cidade que não é uma cidade.
Um teatro que nega sua teatralidade sobre uma cidade que renega habitantes.
Tudo que é árido causa estranhamento em seres que possuem 70% de água no corpo.

Terça-feira, BH. Sobreviverei a tantas cidades planejadas?

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A Monstra Internacional

Outubro 21, 2009 · Deixe um comentário

Quer tanto ver pega um retrato
e guarda na carteira.
O filme entrará em cartaz em pouquíssimas sessões
da Mostra Internacional competitiva
e não, não entrará em circuito nacional, porém
talvez ocorram mais algumas exibições pra poucos
e bons
em pequenas mostras sobre coisas maravilhosas,
esplendorosas,
e esquisitas
daquelas que entram no CCBB
e absolutamente ninguém do seu círculo social
fica sabendo.

Diga, caro frequentador do Reserva.
Quer ver o filme pra
aplacar seu ego cinéfilo?
Chegar a conclusão que não valia mesmo a pena
comprá-lo e exibi-lo
no cinema mais próximo?
Pra sofrer por não ter assistido antes,
não ter feito mil sacrifícios na Amazon
em 24 vezes no cartão?
Ou então, ah,
você tem cara disso,
quer ver pra compará-lo com o blockbuster hollywoodiano
localizável em qualquer locadora?

Pois saiba que esse petardo
está destinado a ser aquele tipo de cult
que quase ninguém assistiu mas
todo mundo comentou
entre uma frase sobre a suicida Sarah Kane
e um MP3 do The Shaggs.
“Deve ser enfadonho”, pensam,
“mas como saber com certeza?
Um comentou que tem três horas e meia
e outro disse que foi tão rápido…”

Mas, amor,
que filme de fases!
Só de pensar na fila
já me dá gases!

***

Pós-dramático
Póstumo
Um recado no post-it dizendo
“Não esqueça de ir a Brasília
e antes passar na farmácia
pra comprar Sorine.

Esse sorriso deixou seu ar completamente seco.”

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Ó Lady Gaga por que estás tão triste?

Outubro 13, 2009 · 3 Comentários

Por que a Lady Gaga sempre chora?
Por que é legal e as pessoas amam dizer que choraram lágrimas de glitter, lágrimas de sangue, lágrimas de ouro?

Isso é uma banalização das lágrimas ou é um sinal de que realmente o mundo está triste?
Lady Gaga faz sucesso cantando no piano, transformando suas músicas dançantes em baladas.
Lady Gaga chora sangue no VMA e a gente amou.
Lady Gaga chora que nem as imagens de Nossa Senhora pelo Brasil. Lady Gaga milagreira.

É muito forte a imagem de alguém chorando.
Em A garota dividida em dois, a gente vê uma lágrima bem marcada no rosto da personagem, de tristeza profunda, só na última cena. Ela tem todos motivos pra chorar antes, e chora, mas essa lágrima que a gente vê, aquele bem desenhada, aquela que escorre com a tristeza profunda, a gente só deixa escorrer quando pensa na condição humana. Na nossa condição. Não é uma tristeza com um motivo factual.

lady-gaga-fame-monster-2

Nesse fim de semana eu chorei um pouquinho. Só um pouquinho.

Quero chorar
Não tenho lágrimas
Que me rolem nas faces
Pra me socorrer

Lady Gaga, você chora por que no fundo é triste ou você chora por que quer que todo mundo goste de você? O que no fundo… é mais ou menos a mesma coisa?

Obs.: A mesma luz mais linda do mundo que vi na Estrada das Lágrimas eu vi de novo nesse fim de semana. Achei que era um sinal. E era.

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Mitologias da família – dos outros! O caso dos irmãos dentistas

Agosto 23, 2009 · 1 Comentário

Fazia tempo que eu não ia no dentista. Não por medo, acho que era mais trauma de ter “quase” tirado um siso. Explico: o dentista que eu ia foi tirar dois sisos de uma vez e só conseguiu tirar um (oi?!). Aí eu fiquei irritado e decidi dar uma greve pros dentistas.

Agora, na falta de um, tenho dois. São dois irmãos, o Dr. Fábio e o Dr. Luis. O Dr. Luis é o mais velho e ele faz o trabalho sujo: cirurgia é com ele. Arrancar dente, abrir gengiva, essas coisas. Dr. Fábio fica com a parte fofa e é um fofo: daqueles que pedem desculpa enquanto estão fazendo raspagem. Bom, Dr. Fábio estava condoído da minha preocupação de tirar o siso e decidiu contar a história dele.

Dr. Fábio tirou o seu primeiro siso com uns 17 anos. Ele um dia acordou, não conseguia abrir a boca e precisou ir no dentista. Foram ele, a mãe e o Luís, que nessa época também não fazia Odontologia ainda. Chegaram no médico e ele disse “ih, vai ter que fazer extração, mas tô sem minha assistente hoje”.
NIQUI Dr. Luís logo se oferece pra ajudar! Oi? E o dentista… ACEITOU. Ou seja, Dr. Fábio tirou seu primeiro siso com a assistência do irmão. Diz que naquela época era uma coisa MARRETA e muita porrada mesmo, que você ficava todo roxo, parecia que tinha apanhado. E que tinha um remédio que ele falou o nome e eu esqueci, algo como Sedablerbs, que justamente te deixa sedado. Ele disse que era a melhor coisa da mundo, você tomava dez gotas, desmaiava na cama durante 4 horas, acordava, tomava de novo, desmaiava… O remédio não existe mais, e segundo ele “eu receitaria se ainda existisse”. HAHA

Fiquei sem graça de pedir um Lexotan.

Bom, esse terceiro siso que eu tirei abalou um NERVO e agora estou com dor na garganta – dói pra engolir saliva! Maravilhoso, né? Tô tomando Dorflex líquido, que é bom – mas esse Sedablerbs devia ser bem melhor, certeza.
E ainda falta mais um. Minha irmã disse que queria que o dente fosse destacável. Tá amarelo coloca na cândida, tá velho ou cariado, troca por outro, e arruma do jeito que quiser, espetando, bem bonitinho. Não ia existir dente torto, não ia existir sofrimento. Eu concordo.

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Amadurecer?

Agosto 17, 2009 · 9 Comentários

Não, não é verdade que a gente amadurece.
O que acontece é que quanto mais velho, mais você liga o foda-se, portanto mais você está apto a falar verdades e ter ações que realmente resultam em consequências.
E assumir consequência também fica mais fácil com o tempo. Você vai pegando gosto. Vai percebendo que não é um bicho de sete cabeças.

Pra mim, sempre foi muito fácil falar o que eu realmente sinto e penso. Na maioria das vezes acabo me fodendo, mas acredito ser melhor assim anyway. Todo mundo sempre me achou muito maduro por dizer coisas e assumir certos riscos teoricamente calculados (bem na teoria). No fundo, todo mundo está errado: não sou maduro. Eu simplesmente sou o que os outros chamam de sem noção e o que eu chamo de coerente, do bem, verdadeiro ou seja lá o que for.

Por isso eu fico meio chocado quando as pessoas parecem ter algo a esconder. É muito estranho.

EXEMPLIFICANDO

Tipo, é surreal para alguém uma conversa assim:
A: Então, na verdade eu fiquei com você naquela noite mas eu tô sussa, foi só uma noite mesmo.
B: Ah, que pena, eu poderia namorar você.
A: Puxa. Sinto muito.
B: OK. Só deixa eu apagar seu número da minha agenda de celular… hum… pronto.
A: OK! Posso te fazer uma pergunta?
B: Hum, acho que sim.
A: Eu posso te cumprimentar… assim… quando te encontrar?
B: Claro! Mas, ó, por favor, não fica com nenhum amigo meu, tá? Eu não vou gostar.
A: Tudo bem, claro!

Pra mim essa conversa seria OK. Não é a coisa mais divertida do mundo, mas pelo menos as coisas não ficam pela metade, não se geram ruídos, fica tudo bem. Óbvio que isso também conta pro “Nossa, tô adorando você” / “Eu também!” / “Poxa, que legal, vamos tomar um sorvete?” / “Sim!”

Mas aí o que acontece no lugar disso? Olhares mal-entendidos, frases difusas, passos confusos. Tsc tsc.

Mundo: vocês têm muito a aprender com os capricornianos. Porque no fundo, é simples, eu juro.

And again:
“Oh, não se assuste muito! às vezes a gente mata por amor, mas juro que um dia a gente esquece, juro! a gente não ama bem, ouça (…)” – A legião estrangeira, de Clarice Lispector

Eu não juro que a gente esquece, não. Mas é verdade que a gente esmaga de amor. Morde. Arranha. Arranca pedaço. Os Beatles sofriam com as jujubas das fãs. Drive my teeth across your chest to taste your beating heart, Florence + the Machine, Howl. Happiness is a warm gun. Beware.

Pow.

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e subitamente

Agosto 11, 2009 · Deixe um comentário

tudo era mais simples.

como se a fita voltasse – só um pouquinho – e eu estivesse no carro com ela ao meu lado dizendo:

“eu entendo que você tenha brilhado demais,
e que às vezes cansa.
entendo que esse brilho seja recolhido
pra que seja mais intenso outro dia.

deixa brilhar”,
e um movimento com a mão.
“deixa brilhar”
e mais outro.

foi isso. é só uma ligeira montanha-russa diretamente relacionada com as mudanças climáticas e amanhã, prometo,

tudo estará bem.

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Um amor muito responsável

Agosto 11, 2009 · Deixe um comentário

Minha irmã me mandou, se perguntando se essa descrição se encaixaria com a minha pessoa.

É o amor exigente, consigo mesmo ou com o outro.

É a concepção do amor como algo que deve ser merecido e para o qual existem pré-requisitos sem os quais é impossível amar ou ser amado.

Não se acredita no amor como um sentimento gratuito que ocorre sem explicação razoável ou sem um motivo específico, obedecendo apenas a lógica do “coração”. Ao contrário, o amor possui regras, padrões, conceitos. É uma estrada de mão dupla onde as exigências podem recair tanto sobre o próprio indivíduo quanto sobre o parceiro(a).

Nesta sentido, o amor é um agente de insegurança que coloca em evidência as falhas e incapacidades daquele que não possua os atributos necessários.

Passa a ser uma vivência desconfortável que nos coloca diante das nossas faltas e nos faz reviver experiências de desafeto e inadequação.

Esta concepção muitas vezes leva o indivíduo a sentir-se incapaz de manter o amor de alguém (uma vez que não possui os encantos necessários) e a aceitar, por assim dizer, “o que aparecer” vivendo relacionamentos frustrantes que somente reforçam sua baixa auto-estima. Ou, ao contrário, excede-se em escolhas e pré-requisitos que normalmente o levam a se afastar da vida afetiva ou a passar muito tempo sem se relacionar afetivamente.

É uma concepção de amor racional, pragmático que não abre espaço para as fantasias e ilusões típicas dos apaixonados.

É o amor compromisso, que espera construir algo concreto em um relacionamento. É o amor responsável, que suporta os deveres e obrigações, consciente dos limites e tolerante com os problemas e momentos de desprazer de uma relação.

E aí, Q Q 6 ÄCHÃO?

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Eu adoraria jogar as armas pra lá, Ivete, Bethânia…

Agosto 7, 2009 · 1 Comentário

mas me provocam, ué. Que que eu posso fazer?

Me senti tão urucuzado que corri pra Funhouse, my own private banho de cachoeira, pra ver se passava.
Até passou, apesar de não ter tocado Pixies.
QUE SACO, não tem mais lugar que toque Pixies e que seja legal em SP. Ou eu que estou velho – o que é uma probabilidade super.

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Receitinha

Agosto 3, 2009 · Deixe um comentário

Você se acha fora do padrão da normalidade?
Parece meio doidinho?
Acha que está precisando de um acompanhamento especial?

Simples:
você está interessado em mim?

Se estiver, procure o terapeuta mais próximo.

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Lembrete pra quando eu esquecer de certas coisas

Julho 30, 2009 · Deixe um comentário

Jorge,

em alto mar
ou você arruma uma grande rede
ou salva a si mesmo.

Porque entre ele e ele… você, né?

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