Não, não é verdade que a gente amadurece.
O que acontece é que quanto mais velho, mais você liga o foda-se, portanto mais você está apto a falar verdades e ter ações que realmente resultam em consequências.
E assumir consequência também fica mais fácil com o tempo. Você vai pegando gosto. Vai percebendo que não é um bicho de sete cabeças.
Pra mim, sempre foi muito fácil falar o que eu realmente sinto e penso. Na maioria das vezes acabo me fodendo, mas acredito ser melhor assim anyway. Todo mundo sempre me achou muito maduro por dizer coisas e assumir certos riscos teoricamente calculados (bem na teoria). No fundo, todo mundo está errado: não sou maduro. Eu simplesmente sou o que os outros chamam de sem noção e o que eu chamo de coerente, do bem, verdadeiro ou seja lá o que for.
Por isso eu fico meio chocado quando as pessoas parecem ter algo a esconder. É muito estranho.
EXEMPLIFICANDO
Tipo, é surreal para alguém uma conversa assim:
A: Então, na verdade eu fiquei com você naquela noite mas eu tô sussa, foi só uma noite mesmo.
B: Ah, que pena, eu poderia namorar você.
A: Puxa. Sinto muito.
B: OK. Só deixa eu apagar seu número da minha agenda de celular… hum… pronto.
A: OK! Posso te fazer uma pergunta?
B: Hum, acho que sim.
A: Eu posso te cumprimentar… assim… quando te encontrar?
B: Claro! Mas, ó, por favor, não fica com nenhum amigo meu, tá? Eu não vou gostar.
A: Tudo bem, claro!
Pra mim essa conversa seria OK. Não é a coisa mais divertida do mundo, mas pelo menos as coisas não ficam pela metade, não se geram ruídos, fica tudo bem. Óbvio que isso também conta pro “Nossa, tô adorando você” / “Eu também!” / “Poxa, que legal, vamos tomar um sorvete?” / “Sim!”
Mas aí o que acontece no lugar disso? Olhares mal-entendidos, frases difusas, passos confusos. Tsc tsc.
Mundo: vocês têm muito a aprender com os capricornianos. Porque no fundo, é simples, eu juro.
And again:
“Oh, não se assuste muito! às vezes a gente mata por amor, mas juro que um dia a gente esquece, juro! a gente não ama bem, ouça (…)” – A legião estrangeira, de Clarice Lispector
Eu não juro que a gente esquece, não. Mas é verdade que a gente esmaga de amor. Morde. Arranha. Arranca pedaço. Os Beatles sofriam com as jujubas das fãs. Drive my teeth across your chest to taste your beating heart, Florence + the Machine, Howl. Happiness is a warm gun. Beware.
Pow.