Porque fazia tempo que eu não passava pela estação Ana Rosa.
Porque faz tempo várias coisas.
Porque o fim de semana acabou.
Porque a cama está toda desarrumada
e o deslocamento de corpos
não necessariamente acontece
com a mesma velocidade e na mesma direção
que o deslocamento das almas.
Porque eu não posso ter gatos,
eu espirro.
Não posso fumar maconha,
dá pânico.
Não tem Hilda Hilst,
Ana Cristina César
ou Nylon Japão que conforte.
Não tenho uma conta bancária infinita
e queria viajar todos os dias.
Porque o mundo fica
infinitamente
mais imbecil sem ele ao lado.
A orelha dele era tão pequena
que eu podia levá-la no bolso
e todo dia às 17h
sussurrar pra dentro dela
“te adoro”
“saudade”
“se você não chegar logo
eu desmaio”
Da aridez se fez um temporal.
Vi pingos grossos de chuva
de dentro do McDonald’s,
o parquinho do Ronald vazio -
nenhuma criança brincava -
mas eu não estava triste.
Só estava fora do eixo.
Só estava por fora.
Só estava.
Sinto tontura na cadeira do hotel.
Toda vez que sento, batata.
Batata é do grupo que Antonia chama
de calorias vazias.
Devem ser evitadas.
Evito? Corro?
De encontro com
ou ao encontro de?
De encontrão,
de esbarrão -
me diz você,
essa tontura
é amor
ou é o calor?
Meu sonho era ser o Sean Lennon, infelizmente não deu. Mas eu continuo tentando.
Foto da abertura da Opening Ceremony em Tóquio. Sean, Yoko e o Humberto Leon, do WWD.
Contei que acabei de ler a biografia do John Lennon? Comecei a dos Beatles, pra ter overdose.
Minha irmã me mandou, se perguntando se essa descrição se encaixaria com a minha pessoa.
É o amor exigente, consigo mesmo ou com o outro.
É a concepção do amor como algo que deve ser merecido e para o qual existem pré-requisitos sem os quais é impossível amar ou ser amado.
Não se acredita no amor como um sentimento gratuito que ocorre sem explicação razoável ou sem um motivo específico, obedecendo apenas a lógica do “coração”. Ao contrário, o amor possui regras, padrões, conceitos. É uma estrada de mão dupla onde as exigências podem recair tanto sobre o próprio indivíduo quanto sobre o parceiro(a).
Nesta sentido, o amor é um agente de insegurança que coloca em evidência as falhas e incapacidades daquele que não possua os atributos necessários.
Passa a ser uma vivência desconfortável que nos coloca diante das nossas faltas e nos faz reviver experiências de desafeto e inadequação.
Esta concepção muitas vezes leva o indivíduo a sentir-se incapaz de manter o amor de alguém (uma vez que não possui os encantos necessários) e a aceitar, por assim dizer, “o que aparecer” vivendo relacionamentos frustrantes que somente reforçam sua baixa auto-estima. Ou, ao contrário, excede-se em escolhas e pré-requisitos que normalmente o levam a se afastar da vida afetiva ou a passar muito tempo sem se relacionar afetivamente.
É uma concepção de amor racional, pragmático que não abre espaço para as fantasias e ilusões típicas dos apaixonados.
É o amor compromisso, que espera construir algo concreto em um relacionamento. É o amor responsável, que suporta os deveres e obrigações, consciente dos limites e tolerante com os problemas e momentos de desprazer de uma relação.
Oh, come on, you’ve got to use your flow
You know what it’s like, and
you know you want to go.
Don’t drive too slowly.
Don’t put your blues where
your shoes should be.
Don’t put your foot on the heartbrake.
Porque, afinal, a conversa tão necessária de ontem me ensinou várias coisas sobre mim.
E eu queria dançar que nem Kate Bush numa festa.