Arquivo do mês: junho 2010

There’s no Ronald Golias for you

Não escreva nada, não escreva absolutamente nada
e fique assim, taciturno.

“Ele é simpático,
tem aquele cheiro, você sabe qual,
e me fará vomitar de tanto rir, sabe,
como numa stand up comedy em um teatro empoeirado
daqueles que estão deixando de estar decadente,
frequentado por hipsters…
você entendeu, Martinha?
Faz ele virar naquela próxima esquina?”

E o que houve?
Martinha coisa nenhuma.

É naquele átimo, quando você pensa duas vezes ou não pensa nenhuma.
Não é a escolha errada, minha querida,
e não foi a escolha certa também.
“As coisas simplesmente acontecem”, ele pensa, sem dizer,
no caminho entre um lindo nariz e
uma linda pizza Supreme;
entre um desencontro esquisito
e outro quase-desencontro esquisito;
entre uma reclamação e um pedido.

Não liga porque sabe que o que doeria
seriam outras.
Essas não.
Essas durariam o tempo de uma novela do SBT que não deu muita audiência,
portanto que durem o tempo de uma música.
Que durem o tempo de uns minutos.
O que te move é a incerteza, menino,
não há Martinha que resista a essa falta de supermercado,
a esse tempo esquisito,
e quanta gente bestinha, vixe, que bestinha, olha que bestinha.

Fica frio até descobrir
o que será que reside costurado na boca
do filhote da raposa.

Queria fazer um post sobre a temporada sobre o que eu e a Jana queremos

Mas cheguei à conclusão que a gente quer coisas que não estavam na passarela.

Então espera.

Obs.: mentira, na verdade eu também tô com preguiça mesmo, e isso me pareceu uma ótima desculpa.

E ele achando que eu queria ser a Ana Cristina César

Eu, hein.
Eu queria é ser o Manoel de Barros.

E olhe lá.

Me poupe

Como era o que estava escrito no espelho?
“Olha pra si antes de falar dos outros.”
Eu garanto que olho sempre que posso, e você?

Mas homem que chama mulher de vagabunda tem pau sujo.
Mulher que tem inveja cresce pelo no bico da teta.
Mulher que faz intriga sem motivo cheira mal.
Gente que chama a pessoa que conheceu a 5 minutos de melhor amigo a cuca vem com um dildo.
Gente que xingava uma pessoa e depois fica de amiguinha cai o dente da frente.
Gente que chifra com planejamento é transferido pra Sibéria.

E a vida me ensinou que é bom você ter bons valores, mas ser fofinho indiscriminadamente não leva a nada.
E gente que é fofinho indiscriminadamente é truque. Ou é Madre Teresa de Calcutá, ou seja… não, você não é a Madre Teresa de Calcutá, não se engane.

Portanto… me poupe da babaquice. Muita gente falando demais e pensando pouco, pra variar.
Não sou perfeito, não. Mas se a minha mãe me ensinou uma coisa, essa coisa se chama NOÇÃO.

E, como diz Antonia Petta… Você não tem mãe, não?

Ele não sabe

Ele não sabe,
mesmo porque não cabe a ele saber.
Não sabe,
bom,
talvez seja melhor
(com certeza é melhor),
ele não sabe
nada,
não sabe
como está sendo,
ele não sabe
coisa nenhuma.

Eles não sabem,
não são obrigados,
eu nem disse,
portanto não sabem,
ninguém sabe,
ou sabem pouco,
mas quem sabe é
só eu.

Talvez eu tenha o tíquete.

Talvez eu tenha perdido a hora do embarque.

Talvez eu tenha que pagar a remarcação
e o excesso de bagagem,
mas, enfim,
ele não sabe.