Sabe, uma vez – e foi uma única mesmo – eu disse pra uma pessoa que se ela me visse na rua, era pra ela atravessar pro outro lado. Pra ela não me cumprimentar. Pra ela sumir.
Fazia sentido eu dizer aquilo naquele momento – faz tempo – mas hoje eu nunca diria isso pra essa pessoa, nem pra ninguém. Não sinto a menor raiva dessa pessoa, de coração. Estou tranquilo. Faço o que posso. De boa. Faço mesmo.
A cama está arrumada, eu posso vê-la arrumada
mas ela está desarrumada, não vê, essa zona
em cima da cama, essa caos por todo entorno,
esse cheiro de rosas
do crucifixo romano
talvez não seja a única coisa
que está me deixando
levemente
- temporariamente -
zonzo.
Cominho. Lagosta. Sushi de pepino. Macarrão com molho quatro queijos. Mojito. Onion rings. Quiche de alho poró. Risoles. Pizza portuguesa. Curry. Figos em calda. Sopa de mandioquinha com carne seca. Alface. Empanada de palmito. Chilli. Tabule. Vitamina de mamão com laranja. Vinagrete. Agrião. Abacate com açúcar e leite. Páprica. Papaia com cassis. Couve. Tropeirão. Pastel de carne. Brócolis. Strogonoff. Foundue. Yakibifun. Moti. Chá verde. Chá branco. Chá mate.
Eu.
Let me take my scarf off.
No
No
No.