Caminho Dourado

Mitologias na família: Ditchan

Julho 2, 2008 · 3 Comentários

Sempre estranhei o fato de me sentir megabem no Largo da Batata, apesar de ser um lugar feio e perigoso. Onze horas da noite e eu lá, achando lindo borboletear por entre os malandros. Só que eu achava que como um bom pinheirense de carteirinha desde que nasci, eu me sentia bem simplesmente porque estava acostumado.

Ledo engano.

Seu Eikichi Wakabara, meu falecido avô, sempre foi um mistério para mim. Sei pouquíssimo sobre ele, e menos ainda sobre minha avó Shie (que faleceu quando meu pai ainda era pequeno). Ditchan (vovô em japonês) morreu antes de eu nascer. O que eu imaginava era um velhinho japonês viciado em Coca-cola, e era só. Sim, ele era mesmo viciado em Coca-cola, o assunto já veio à tona uma vez numa mesa de macarronada no domingo.

Então, decidi investigar o passado da família, nessa coisa de mudar para a casa que era da Tia Yoko e me deparar com fotos antigas, sei lá, bateu uma nostalgia de algo que nem vivi. E descobri que meu ditchan era…

mecânico!

Ele tinha uma oficina mecânica no…

Largo da Batata!

Simplesmente na rua que agora passo todo dia para ir para a Abril!

Vovô Eikichi também só comia comida japonesa, lia muito (!) e era muito exigente – coitada da Tia Yoko, que teve que cuidar dele durante muito tempo. O assunto é meio tabu, mas acho que ele era bravo A VALER e BATIA MESMO. Engraçado – o que se vê na foto é um velhinho tranquilo.

É. Quem vê cara… Encontrei um pacote com cartas de ditchan para a Tia Yoko, da época que ele foi passar uma temporada no Japão. Ele estava lá em… 68! Ele tinha muita dificuldade com o português, e escrevia em japonês mesmo. Ou seja: não foi possível traduzir o que estava escrito, né, minha gente?

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