Caminho Dourado

A poesia que recebi no desfile das Gêmeas

Junho 6, 2008 · Deixe um comentário

Prometi e agora cumpro:

Tudo vive em mim. Tudo se entranha
Na minha tumultuada vida. E por isso
Não te enganas, homem, meu irmão,
Quando dizes na noite, que só a mim me vejo
Vendo-me a mim, a ti. E a esses que passam
Nas manhãs, carregados de medo, de pobreza
O olhar aguado, todos eles em mim,
Porque o poeta é irmão escondido das gentes
Descobre além da aparência, é antes de tudo
LIVRE, e por isso conhece. Quando o poeta fala
Fala do seu quarto, não fala do palanque,
Não está no comício, não deseja riqueza
Não barganha, sabe que o ouro é sangue
Tem os olhos no espírito do homem
No possível infinito. Sabe de cada um
A própria fome. E porque é assim, eu te peço:
Escuta-me. Olha-me. Enquanto vive um poeta
O homem está vivo.

Hilda Hilst

Ela me chama. Já vou, mas daqui a pouco. Espera.

Categorias: conjecturas · moda · poesia
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