Não é um filme que todo mundo vai gostar. Eu sou realista e sei disso. Mas Falsa Loura tem VÁRIAS qualidades, vou tentar falar um pouco delas aqui.
. Djin Sganzerla. Ela é parecidíssima com a mãe (Helena Ignez), o que para mim já conta milhares de pontos porque sou megafã da Helena. Fora que ela está ótima no filme.
. Qual o real valor de uma música popular? Ela é alienante – ou ela salva? Muito mais do que uma história que cai no discurso-militante-de-esquerda de sempre, Falsa Loura mostra que a vida se encarrega de mostrar que o que a música diz não faz parte da realidade, mas está no terreno dos sonhos. Mesmo assim, a gente ouve e acredita – o homem precisa de sonhos para sobreviver?
. Trajetória heróica é uma trajetória de destruição de sonhos? Cair na real, ver que a vida é difícil, e sobreviver a isso. A partir do momento que os sonhos são destruídos… então, o que me move? Por que eu continuaria vivo, se os sonhos não existem?
. Os clichês nos tocam, não importa a nossa classe social. Somos unidos pelo clichê. Duvido que alguém não se emocione ao ouvir uma balada mela-cueca depois de terminar um relacionamento. Em Falsa Loura, o que acontece é praticamente um empilhamento de clichês. Da luz, em determinadas cenas, ao cenário (o kitsch-bregão do número musical com Maurício Mattar, que conta inclusive com a letra da canção na legenda, tipo “siga a bolinha”). Ondas quebrando no mar. A garota feia que passa por uma transformação e fica linda. O senhor poderoso, misterioso e mau, com direito a carrão e motorista misterioso.
. Ao mesmo tempo, mesmo os clichês são, em alguns momentos, quebrados. O mano ex-namorado da personagem principal se engraça com o irmão dela, Tetê, que é cabeleireiro que se veste de mulher. E o inesperado (porque isso ainda é inesperado, ainda não é clichê) acontece: ele mantém o relacionamento! Após Quanto mais quente melhor, talvez alguns considerem isso um clichê. Eu não considero, não. Acho que ainda causa estranhamento e ainda leva a reflexão sobre “socialmente aceitável ou não”, da parte de quem ainda tem preconceito.
. Por que os filmes nacionais não conseguem ser trendy como os estrangeiros? O que chega perto disso é O cheiro do ralo, mas mesmo assim… nenhum fica cool como o Um beijo roubado. Não que eu ligue. Mas talvez o cinema do Brasil precise disso para conquistar público.
etc etc etc, se eu pensar em mais coisa eu digo!




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