Tenho refletido cada vez mais sobre os EUA e o seu “POVO”. Tudo por causa uma série de coincidências:
. Acabei de ler Middlesex, do Jeffrey Eugenides, que conta a história de um hermafrodita americano descendente de gregos que mora em Detroit.
. Fui ver West Side Story na pré-estréia – o musical é bem mamão com açúcar, historinha de Romeu e Julieta, mas de pano de fundo traz um retrato do preconceito racial dos EUA contra os chicanos.
. Li e me interessei muito sobre a última coluna do Sergio Dávila na Revista da Folha, na qual ele trata sobre o posicionamento político dos americanos.
. E, finalmente, fui assistir Juno.
Para mim, tanto Juno quanto Middlesex mostram um lado muito mais criativo e atraente da América do norte que acabamos esquecendo, já que somos todos politicamente-corretos-portanto-contra-a-guerra-do-Iraque-portanto-antiamericanos. Esse papo de antiamericanismo, aliás, já deu, né?
Mas eu queria me ater mais a Juno, mesmo. Muita gente anda comparando o filme com Pequena Miss Sunshine. Não acho que cabe tanto assim. Enquanto que no segundo a classe média americana mais uma vez é vista sob a lente de aumento realçando bizarrices e tentando desconstruir o american way of life – é uma mania do cinema independente de lá que dá megapreguiça – Juno mostra uma situação teoricamente “anormal”, porém cabível, em uma família normal, com uma garota normal. Uma garota normal ótima, por sinal, carismática.
A Bravo veio dizer que “óh, meu Deus, que bela descoberta, finalmente um filme com uma adolescente que pensa”. Não é bem assim. Juno é tipo os filmes de Molly Ringwald transferidos para hoje. Na época de Molly, as personagens dela tinham exatamente o mesmo efeito e ocupavam exatamente o mesmo lugar de Juno. E o engraçado é como a crítica trata Juno com espanto – porque na verdade quem está chegando perto dos 30 (ou quem já tem mais de 20) sabe muito bem que a Juno existe faz um tempão por aí, em milhares de escolas.
O filme é muito simples, muito terno, muito liberal – e nem por isso deixa de ser americano. Aí você se lembra que a América não se faz só de republicanos e respira um pouquinho mais aliviado.
Obs.: o figurino da Juno é muito cool – e o engraçado é que isso já é cool desde 2000. Juro, o Rick usa aquelas roupas desde que eu conheço ele. Ah, é, mas o Rick não é cool, ele usa blogspot.
Obs. 2: esse filme foi feito sob medida para a Bia. Tenho certeza que a Diablo pensou nisso quando tava escrevendo.




4 respostas Até agora ↓
Bia Bonduki // Março 3, 2008 às 10:00 pm |
tomei como um elogiíssimo! fui ver de novo e mijei tudo de novo.
fernando // Março 3, 2008 às 10:16 pm |
AMÉRICAAA! AMÉRICAAA! tu sabe que eu curto USA prácaraio né chorche
ta vendo? fica aí assistindo les pelíqules françaises, hohohohoho
Eduardo Viveiros // Março 4, 2008 às 10:51 pm |
O figurino é tão cool quanto a trilha, né. E isso a gente sabia já desde aquela época, hahaha.
Ri(domene)ck // Abril 2, 2008 às 12:03 pm |
baby, eu preciso ser cool, porque depois dos 30 a gente se mantem sob refrigeracao controlada ou apodrece.