Caminho Dourado

Nem todo americano é ridículo

Março 3, 2008 · 4 Comentários

Tenho refletido cada vez mais sobre os EUA e o seu “POVO”. Tudo por causa uma série de coincidências:
. Acabei de ler Middlesex, do Jeffrey Eugenides, que conta a história de um hermafrodita americano descendente de gregos que mora em Detroit.
. Fui ver West Side Story na pré-estréia – o musical é bem mamão com açúcar, historinha de Romeu e Julieta, mas de pano de fundo traz um retrato do preconceito racial dos EUA contra os chicanos.
. Li e me interessei muito sobre a última coluna do Sergio Dávila na Revista da Folha, na qual ele trata sobre o posicionamento político dos americanos.
. E, finalmente, fui assistir Juno.

Para mim, tanto Juno quanto Middlesex mostram um lado muito mais criativo e atraente da América do norte que acabamos esquecendo, já que somos todos politicamente-corretos-portanto-contra-a-guerra-do-Iraque-portanto-antiamericanos. Esse papo de antiamericanismo, aliás, já deu, né?

Mas eu queria me ater mais a Juno, mesmo. Muita gente anda comparando o filme com Pequena Miss Sunshine. Não acho que cabe tanto assim. Enquanto que no segundo a classe média americana mais uma vez é vista sob a lente de aumento realçando bizarrices e tentando desconstruir o american way of life – é uma mania do cinema independente de lá que dá megapreguiça – Juno mostra uma situação teoricamente “anormal”, porém cabível, em uma família normal, com uma garota normal. Uma garota normal ótima, por sinal, carismática.

A Bravo veio dizer que “óh, meu Deus, que bela descoberta, finalmente um filme com uma adolescente que pensa”. Não é bem assim. Juno é tipo os filmes de Molly Ringwald transferidos para hoje. Na época de Molly, as personagens dela tinham exatamente o mesmo efeito e ocupavam exatamente o mesmo lugar de Juno. E o engraçado é como a crítica trata Juno com espanto – porque na verdade quem está chegando perto dos 30 (ou quem já tem mais de 20) sabe muito bem que a Juno existe faz um tempão por aí, em milhares de escolas.

O filme é muito simples, muito terno, muito liberal – e nem por isso deixa de ser americano. Aí você se lembra que a América não se faz só de republicanos e respira um pouquinho mais aliviado.

Obs.: o figurino da Juno é muito cool – e o engraçado é que isso já é cool desde 2000. Juro, o Rick usa aquelas roupas desde que eu conheço ele. Ah, é, mas o Rick não é cool, ele usa blogspot.
Obs. 2: esse filme foi feito sob medida para a Bia. Tenho certeza que a Diablo pensou nisso quando tava escrevendo.

Categorias: cinema · conjecturas · figurino
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