Vou confessar um negócio vergonhoso.
Apesar de ter feito parte da pesquisa do FilmeFashion, eu simplesmente não assisti a Terra em transe.
Não assisti… até ontem.
Eu sempre morri de medo do Glauber Rocha. A única coisa que assisti dele até agora foi ao curta Di, que é maluquérrimo, então a imagem que eu tinha é que Terra em transe seria alegoria atrás de alegoria e que eu não entenderia porra nenhuma.
Ontem, na 2001 com a minha mãe, estava lá entre Terra em transe e algum outro, sei lá qual era, e disse “Bom, na verdade eu deveria assistir Terra em transe, seria melhor para a minha formação intelectual” – eu falei meio brincando meio sério, eu sei que é ridículo. GENTE, NÃO RIA, TÔ ABRINDO MEU CORAÇÃO. HAHAHA! Minha mãe falou: “Então leva, ué”.
Aí eu levei.

Jardel Filho e Paulo Autran
Eu tenho reclamado da falta de timing em alguns momentos, mas no fundo reparei que timing é o que mais tem rolado nessa minha vidinha. Assisti ao filme levando na cabeça um “debate” recente com Mari Tavares e Heitor a respeito do que seria o movimento de esquerda hoje etcetc.
O filme, além de não ser entrópico do jeito que eu pensava, tem um roteiro lindíssimo que trata da esquerda sem demagogia, criticando os defeitos direto, mostrando como o jogo político é bem mais complicado e não tem apenas dois lados fixos.
Eu ainda inventei, não sei o porquê, de assistir com legendas – talvez porque eu estava com medo de entender ainda menos porque som de cinema brasileiro das antigas, você sabe, geralmente é porco. Então eu ficava repetindo todo aquele texto, aquelas poesias, e pirando naquelas imagens maravilhosas. A fotografia é incrível, a história… E a escolha do elenco? Eu piro nisso: Paulo Autran para fazer o político reaça safado – ele que já era um mito do teatrão. Jardel Filho, um cara de televisão e de teatro também, para fazer o jornalista e poeta idealista?! E a Glauce Rocha, tão ótima no papel de Sara…
Ou seja: é para assistir sem medo. Tem que prestar atenção, não é um filme fácil, mas também não é um monstrengo.

Obs.: Sabe essa foto? Esse arranjo de penas é o que menos aparece no figurino de Danuza Leão. Fiquei passado quando percebi que ele só é visível na cena final, e mesmo assim só para os mais atentos, porque em nenhum momento fica em destaque. Ou seja: de figurino glamour, apesar das roupas de Danuza serem assinadas por Guilherme Guimarães, o filme tem pouca coisa… Muito mais legal são as loucuras dos momentos alegóricos – os índios do começo e a coisa meio “família real” do fim, com aquela coroa gigantesca, que me lembrou o penúltimo desfile do João Pimenta – só esteticamente, claro.
Uma cena, para terminar:




1 resposta Até agora ↓
Pri // Fevereiro 15, 2008 às 5:07 pm |
pensei numa refilmagem para os dias de hoje que se chamaria: “Terra em Trance”. Hehehe… Realmente um filme que requer atenção! Como todos do Glauber Rocha…
Gostei do seu blog, hum?! Visite-me também!
Beijocas.