Caminho Dourado

Três filmes bacanas que assisti recentemente

Janeiro 2, 2008 · 2 Comentários

Macunaíma
Reassisti. Incrível! Figurino muito muito bom – não chega a ganhar de Bandido da Luz Vermelha, mas tá quase lá! Paulo José mandando muito bem e Dina Sfat (foi por causa dela que reassisti) em participação curta e maravilhosa. Dá para entender porque eles eram um casal – aliás, acabei de ler a biografia de Dina e ela foi mesmo uma mulher absurda. Engraçado é que a Bel Kutner eu quase nunca vejo, né? Ela participou recentemente de Eterna Magia, mas sei lá, meio apagada.
Voltando ao filme: genial principalmente porque é tão bom quanto o filme – à sua maneira, né? São diferentes.
E quem reparou que a estampa do robe roxo que Macunaíma usa na casa de Ci é superparecida com essa daqui, da Maria Bonita Extra Verão 2008?
MariaBonitaExtraVerao08
Foto do Charles Naseh / Chic

Outros momentos figurino incrível – as peças bem coloridas, fim dos anos 60, de quando eles vão para a cidade; a saia lápis de couro de Dina Sfat, fetiche total – e é a roupa com a qual ela escolhe morrer!; o vestidinho estampado de Joana Fomm (parece páginas de jornal); o macacão meio transparente da Princesa, última mulher do Macunaíma.

Aqui, trailer:

Melhor bilheteria do cinema novo? Q?

Em Paris
Ah, Garrel, se você não existisse teria de ser inventado.
Você realmente tem cara de francês sujo – mas nada que um banho não resolva.
Em Paris é fofo demais, é tipo o lado fofo da nouvelle vague acumulado. Tem cantadas, amor, homem bonito – as mulheres não são exatamente bonitas, porém Joana Preiss, no papel de Anna, é bem charmosa. Tem Paris, claro, diálogos bons e reflexões para a vida.
“Eu sei que você me ama. Essa é a diferença entre nós”.
E, além de Garrel, tem Romain Duris em depressão. Olha, eu ficaria confuso se tivesse que escolher entre um dos dois.

LouisGarrelRomainDuris
Garrel e Duris: situação difícil, heim?Aqui, cena com Jo e Alice:

 

Toda donzela tem um pai que é uma fera
Eu sei, isso é título de peça que fica em cartaz naqueles teatros da Brigadeiro Luis Antonio, com Felipe Folgosi no elenco. Mas eu juro que você deveria colocar o preconceito um pouco de lado se tiver a oportunidade de assistir esse filme. De 1966, ele inclusive dialoga com nouvelle vague em alguns momentos – inclui, por exemplo, cenas dos devaneios dos personagens, intervenções bem-humoradas de um narrador, e assim deixa tudo (ainda) mais leve.
Os Felipes Folgosis em questão são Reginaldo Farias (que está fofo no papel de “rapaz sério”) e John Herbert (meio canastrão, mas o papel permite, então passa). Vera Vianna faz a musa – e tem corpão para isso, mas o rostinho é meio vulgar, não sei, e o cabelo é meio desgrenhado. Acho que precisava ser mais perfeitinha.
O melhor do filme é mesmo Loló, a personagem burrinha, que é interpretada por uma esguia e sonsa Rosana Tapajós. Ao contrário da meio chata Daisy (Vera Vianna), Loló é estilosa e se faz de bocó – mas na minha opinião é só gênero, porque ela se dá bem no final. Fiquei apaixonado por ela! Por esse papel, Rosana ganhou prêmio no Festival de Cinema de Goiânia. Eu não sei se o festival era importante, mas enfim.
Toda donzela é considerado precursor da pornochanchada – o que é bem engraçado, porque o filme é bem caretinha, não mostra absolutamente nada explícito e eles até tem um certo pudor em falar palavras como “virgindade” (o sinônimo é “donzela”) e sexo (eles sempre se espantam do tipo ”mas quer dizer que vocês… ó!” e fica subentendido).

toda-donzela

Também assisti – Mais estranho que a ficção (hum, OK, esperava mais) e Piratas do Caribe, o segundo (EEE, muito legal! Meu lado nerd grita!).

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