Caminho Dourado

Por onde?

Novembro 19, 2007 · 2 Comentários

Entre as várias doses de saquê e uma passadinha pela Santa Casa (juro), eu, Bob, Bia e Mano fomos assistir à performance que Veronica participou, com o Fatzer de Brecht no ciclo sobre Heiner Müller que o Sesc Pinheiros está fazendo (olha a nota no site da Cooperativa Paulista de Teatro).

Aí a Bia e o Mano… bom, eles acharam melhor não comentar. HAHAHA

O Bob primeiro falou que parecia com Yoko Ono. “Muito Yoko Ono, né?”. Ué, mas a Yoko Ono era ótima, então ele gostou?

Eu adoro performance e coisa cabeçuda, quem me conhece sabe. Então eu saí tendendo para o satisfeito, apesar de entender que algumas pessoas não comprem a idéia. A performance usava um trechinho do texto Fratzer – que na verdade já é um fragmento de texto – mais imagens projetadas num telão e dois atores (a Verô e um outro) trabalhando com o corpo enquanto diziam esse texto. Uma das grandes graças da performance é que o espectador pode influir no jogo, entrando em cena e mexendo nos atores, deixando-os do jeito que quiser.

O Bob e eu conversamos depois de assistir à performance. É instigante perceber como o exercício pode até estimular quem já se dispõe e tem interesse, mas com certeza afasta quem já tem uma certa resistência. Ou seja: ele deveria mesmo ser aberto para o público? Ele deve ser apresentado como um caminho para o teatro contemporâneo, ou como algo diverso, um experimento para ser feito “internamente”?

No fim, a questão se liga mais a “o que o teatro contemporâneo pode fazer hoje” e “qual o papel que ele pode ocupar” do que à performance específica. Não chegamos a nenhuma conclusão, mas concordo que procurar se afastar de entropia seria interessante. Acho legal experimentos doidões, mas talvez falte justamente o contraponto.

Categorias: arte · conjecturas · teatro
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