Um jogo?
Um teste?
Enterre-o, Jimmy, enterre-o rápido!
Aproveita, a terra está mole depois da chuva.
Tal qual o cachorro enterra um osso, Jimmy,
enterra esse brinquedo.
(Aos meus sete anos eu comia terra,
não à la García Márquez,
mas comia sim,
entre um chandelle e um danoninho.
Comia melancia também, e engolia a semente.
Meu tio dizia: vai nascer uma plantação de melancia aí dentro de você.
Fiquei com medo e parei de engolir caroço de melancia.)
Não dispersa! Enterra, Jimmy, rápido!
Os caroços, as escapatórias!
O que você não for obrigado a engolir, enterre!
A terra há de aceitar
em seu leito silencioso
o que você quer esquecer,
o que você quer soterrar.
Fica tranquilo e cava.
Jimmy, ele não sabe mas eu fiz um pacto ao subir a Augusta.
Agora eu dependo dela, e ela depende de mim.
Ah, Jimmy, ele não sabe de tanta coisa,
o que fazer com a ignorância?
Se eu fosse ele, enterrava a ignorância junto com a falta de bons modos.
Já que eu sou eu, preciso enterrá-lo agora,
veja a lua,
veja os astros,
veja a trajetória dos planetas.
Não vai adiantar elocubrar,
pensar em alternativas,
botar a culpa em circunstâncias.
É como o outro Totó, Jimmy,
seriam necessárias sete vidas de relatórios com justificativas e firmas reconhecidas,
e por ser canino e não felino,
não existem sete vidas, não estaríamos no terreno das possibilidades.
Jimmy, me ajuda a encontrar dois pedaços de pau
para amarrá-los e fincá-los.




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