Sabe, quando a Marisa Monte estava lançando o Universo ao meu redor (pra comprar, se você quiser e eu recomendo, baratinho no Submarino, R$ 15,90) eu fiquei meio de nariz torcido porque Tribalistas foi aquela coisa tão bombada, né, e pensando bem com umas letrinhas bem imbecis (”Pé em Deus e fé na taba”? Tudo bem, se Os Princesa cantassem isso seria engraçado, mas no caso de gente que fica com pose de sabido fica algo meio tosco).
Aí eu acabei me rendendo quando o disco abaixou o preço (o “irmão pop” Infinito Particular eu desencanei de comprar, nem quero, muito Memórias, crônicas e declarações de amor para o meu gosto). Tive uma boa supresa: os sambinhas são lindos, meus preferidos são Meu canário (é bizarro ouvir a Marisa Monte cantando “piu piu, piu piu, piu piu”), Lágrimas e tormentos (do grande Argemiro Patrocínio, que já faleceu mas antes fez um disco solo produzido por Marisa – R$ 32,90 na Americanas.com) e Vai Saber (delícia de melodia e letra por Adriana Calcanhotto, bem à la sapatão mesmo, para quem não se conforma com um “não” e fica de recalque).
E aí, bem… Aí vem a Maria Rita com um disco de samba, né? É bonitinho o álbum dela (R$ 19,80 na Americanas.com). Visual popozuda e tal. E a música Tá perdoado parece que foi feita especialmente para ela, portanto é bem adequada para o jeito que ela canta, o timbre da voz etc.
Só que, se for comparar Marisa e Maria, a primeira, na minha opinião, sai super na frente. Não somente porque ela já tem mais estrada, mas é pelo lado artista, pela intenção. Marisa mistura e renova o samba. Ela pega o samba de Argemiro e também o samba fofo à la Novos Baianos de Moraes Moreira (Três letrinhas); ela coloca mini moog, beat box, fender rhodes no samba, e ainda faz uma graça tropicalista e curtinha com o David Byrne no meio de tudo (Statue of liberty). O mais esquisito é que o resultado não fica esquisito, parece que é um samba… moderno.
E a Maria Rita?
Maria Rita quer vender. O disco dela tem o mesmo instrumental de um disco de, sei lá, Beth Carvalho. Eu gosto de Beth Carvalho, cara, nem é esse o problema. Mas é esquisito para uma artista tão jovem não querer renovar fórmulas, acrescentar coisas, procurar suas características próprias. Maria Rita fez um disco de samba que qualquer outra mulher que gosta de samba poderia ter feito. Em alguns momentos a caretice me incomoda demais da conta. Sambinha de elevador, palatável o bastante para tocar na novela das oito.
O disco da Marisa Monte eu tive vontade de comprar. O da Maria Rita… eu gravei. Só pra saber qual era.




3 respostas Até agora ↓
Wander Veroni // Outubro 21, 2007 às 10:45 am |
Olá!
Gostei do seu blog…mto criativo e interessante.
O CD da Maria Rita não é tão ruim assim. Samba é samba, ñ podemos querer sempre inovar ou ficar na tradição…música é música, se rotular demais perde a graça.
Não sou fã da Maria Rita, acho ela antipática, mas ela canta do jeito da mãe dela – o que vende e é agradável, num 1º momento.
Já a Marisa pesquisa e estuda música é outra coisa, outro nível. Comparar as duas é uma “maldade”…hehehehe…rs…mas é válido pq nos faz refletir sobre o mercado musical.
Excelente artigo!
Te convido a entrar no meu blog, o “Café com Notícias”.
Acesse: http://cafecomnoticias.blogspot.com
Abraço,
Wander Veroni – Jornalista. BH/MG.
wakabara // Outubro 21, 2007 às 5:33 pm |
Valeu, Wander
gustavo // Agosto 18, 2008 às 10:40 pm |
pé em deus, fé na taba!
po, altos trocadilho.
gosto pra caralho dos tribalistas (rompi preconceitos ultimamente) e da marisa.
já a maria rita não conheço esse cd aí..